Aos 86 anos de idade e com 68 de carreira, Eva Wilma relembrou quando fez testes para o filme “Topázio”, de Alfred Hitchcock, em 1969. A atriz brasileira chegou a ir ao estúdio do diretor em Hollywood, mas acabou não conseguindo o papel.

“Isso foi extremamente emocionante”, ressaltou Eva durante o “Conversa com Bial” desta madrugada. “Eu estava almoçando nos estúdios da Universal [Pictures] quando um agente veio me perguntar se poderia me fotografar, pois o Hitchcock estava procurando uma atriz latino-americana para fazer o papel de uma cubana em um filme muito importante”.

Após deixar ser fotografada, retornar ao Brasil e esperar um tempo por uma posição, veio a resposta positiva de que Hitchcock a queria na seleção de testes para o longa. “Fui para Hollywood no dia seguinte”, disse Eva.

“No estúdio, Hitchcock tinha uma casa só para ele e que parecia mais uma casa de filme de terror mesmo. Eu estava apavorada só de pensar na possibilidade de conhecê-lo”, falou a atriz antes de revelar que o mais especial estava por vir.

“Quando fui colocada no cenário para o primeiro teste, as pessoas [da produção] pararam o que estavam fazendo e começaram a aplaudir. Era o Hitchcock entrando no estúdio”, recordou. “Ele era extremamente vaidoso e tinha o ‘prazer da maldade’ (risos)”, descreveu a brasileira sobre como o “Mestre do Suspense” era pessoalmente.

“Essa parte foi inesquecível. Ele ficava sentado bem pertinho da câmera, me fazia perguntas e queria que eu improvisasse bem as respostas, que foi o mais difícil”, contou ela. “Me lembro que ele me disse: ‘Você está querendo me irritar falando em uma língua que não é a minha, fala na sua língua, fala em português”.

Ao final, quem ficou com o papel foi a atriz alemã Karin Dor. “O meu consolo, para me conformar, é que ‘Topázio’ não foi um dos bons filmes do Hitchcock. Eu assisti e dizia para mim mesma: ‘Esse papel não era para mim’. Mas era para me conformar mesmo, pois eu queria ter feito”, finalizou.

Eva Wilma está de volta às telinhas na reprise de “A Indomada”, novela de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares que entra no catálogo do Globoplay na próxima segunda-feira.

Na produção de sucesso que foi ao ar em 1997, a atriz interpretou a ambiciosa e carismática vilã Altiva, que conquistou o público tramando altos golpes com o deputado Pitágoras, vivido por Ary Fontoura.

“Me entreguei a essa minha visão do trabalho do vilão”, disse Eva ao recapitular Altiva, e complementou: “O vilão não precisa ser mal-humorado. Pelo contrário, ele é um suicida. É um personagem mais conflituado do que o heroi da história. Então, é um prato [cheio] para o ator desenvolver a dramaticidade com humor”.

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