Com quase cinquenta anos de carreira e mais de trinta novelas feitas, além de dezenas de filmes e participações em programas, Glória Pires confessou que tinha medo de entrar em cena, e foi somente com muito treino e técnicas de relaxamento que conseguiu superar a insegurança.

“Eu tinha verdadeiro pavor [de gravar]. Tinha tanto medo de estar ali”, afirmou a atriz durante o “Conversa com Bial” desta madrugada. “Cada vez que eu ia fazer uma cena era como se tivesse duas mãos me estrangulando. Levou um bom tempo para eu conseguir digerir isso, respirar normalmente e curtir estar em cena”, completou.

O próprio entrevistador, Pedro Bial, se espantou com a revelação. “É muito estranho ouvir isso de você; esse medo e essa paura. Digo isso porque a gente vê a sua total intimidade com a lente e parece que você já nasceu abraçada com a câmera”, disse ele.

Com novelas de sucesso no currículo como “Dancin’ Days”, “Mulheres de Areia”, “O Dono do Mundo”, “O Rei do Gado”, “Paraíso Tropical”, e muitas outras, Glória mostrou ter um grande carinho por “Vale Tudo”, escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, e exibida de 1988 a 1989 na Rede Globo.

Na novela, a atriz viveu a jovem vilã Maria de Fátima, que vendeu o único imóvel da família para correr atrás do sonho de virar modelo. “Vale Tudo” também foi responsável por exibir um dos crimes mais inesquecíveis da televisão brasileira, fazendo os telespectadores levantarem a seguinte questão: “Quem matou Odete Roitman?”. Recentemente, o título entrou em catálogo na Globoplay.

“Eu considero a melhor novela que a gente já fez”, ressaltou a atriz, e continuou: “Eu não costumo assistir a novelas que eu tenha feito, mas estou revendo ‘Vale Tudo’ e fiquei impressionada porque os personagens eram muito reais, sem ter o mocinho e sem ter o bandido. Todos eram humanos com os seus dramas humanos”.

Filha do ator e humorista Antônio Carlos Pires, falecido em 2005, aos 78 anos, Glória também falou que fazer comédia nunca foi a sua praia, muito devido à insegurança e ao nervosismo que sentia.

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