BEIRUTE — Uma grande explosão atingiu nesta terça-feira a região portuária em Beirute, capital do Líbano, deixando ao menos 30 mortos e mais de 2,5 mil feridos. O governo decretou um dia de luto nacional na quarta-feira, enquanto o presidente Michel Aoun convocou uma reunião de emergência do Conselho Superior de Defesa. Ainda não há detalhes sobre qual seria a causa da explosão. 

Imagens postadas no Twitter mostram uma grande coluna de fumaça sobre a cidade. O ministro da Saúde, Hamad Hasan, confirmou que a explosão causou “um número muito grande de feridos” e danos extensos à cidade, em entrevista ao canal de televisão libanês LBC.  Georges Kettaneh, presidente da Cruz Vermelha Libanesa, referiu-se a “centenas de feridos” em um comunicado na TV. 

O incidente, que se espalhou por dez quilômetros, ocorreu no local onde ficam armazéns que abrigam materiais explosivos e fogos de artifício, o que teria causado explosões maciças, segundo a agência de notícias estatal libanesa NNA e duas fontes de segurança.  Um prédio de três andares também teria desabado, deixando várias pessoas presas no escombros.

— Eu estava na rua e precisei me jogar no chão por causa da explosão. Todas as janelas da rua quebraram, e um cara se jogou em cima de mim para me proteger dos cacos de vidro — disse ao GLOBO um jovem francês que estava no bairro Geitawi, próximo à zona portuária da cidade.

Segundo ele, que preferiu não se identificar, o bairro Gemayze, que fica na região onde estão algumas das embaixadas no Líbano, foi bastante afetado por causa do abalo e ficou coberto pela fumaça da explosão. Quase todas as vitrines das lojas de outros bairros vizinhos, como Hamra, Badaro e Hazmieh, ficaram quebradas, assim como os vidros dos carros.

— Vi uma bola de fogo e fumaça subindo sobre Beirute. As pessoas estavam gritando e correndo, sangrando. Varandas foram arrancadas dos edifícios. Vidros dos prédios quebraram e caíram nas ruas — disse uma testemunha à Reuters. — Todas as janelas do centro da cidade foram quebradas e há feridos andando por todos os lados. É um caos total.

Após a explosão, a Marinha do Brasil informou que todos os militares da Força-Tarefa Marítima da Unifil (Força Interina das Nações Unidas no Líbano) estão bem e não há feridos. Segundo comunicado, a fragata Independência encontra-se operando no mar, normalmente. O navio estava distante do local onde ocorreu a explosão.

O incidente ocorre em uma semana-chave para o país, dias antes do veredicto pelo assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri, em 2005. Na sexta-feira, um tribunal da ONU formado por resolução do Conselho de Segurança deve emitir a sentença  contra quatro homens acusados de terem participado do assassinato. Os réus, todos membros do movimento xiita Hezbollah, estão sendo julgados à revelia pelo Tribunal Especial do Líbano (TSL), com sede em Haia. Além do premier sunita, 21 pessoas morreram naquela explosão. O Hezbollah, apoiado pelo Irã, negou qualquer papel no crime.

Bem antes de os primeiros casos da Covid-19 serem reportados no Líbano, o país já enfrentava a maior crise econômica desde o fim da longa guerra civil (1975-1990), agravada pela instabilidade política em meio a uma onda de protestos que levou milhões de pessoas às ruas no final do ano passado — um movimento que levou à queda do governo, mas que também paralisou o país por semanas. 

Na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores libanês renunciou, alertando que interesses conflitantes ameaçavam transformar o país em “um Estado fracassado”.

O governo, apoiado pelo Hezbollah e seus aliados, tem se esforçado para realizar reformas exigidas por organismos  internacionais. As negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para um empréstimo de US$ 10 bilhões foram interrompidas, e o governo apelou por ajuda de países do Golfo — principalmente Kuwait, Iraque e Qatar.

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