Atacada pela comitiva americana em visita ao Brasil, a Huawei afirma que nunca teve “nenhum grande incidente relacionado à segurança cibernética” nos 170 países em que opera nas últimas três décadas.

Em guerra comercial com o país asiático, os Estados Unidos pressionam aliados, incluindo o Brasil, para banir a Huawei do fornecimento de equipamentos a operadoras das redes de 5G, alegando que os produtos chineses podem ser usados para espionagem e roubo de propriedade intelecutal. No Brasil, o leilão da rede 5G deve ocorrer em 2021.

“Contamos com a confiança dos nossos clientes e parceiros, estamos totalmente comprometidos com a transformação digital do Brasil e abertos à comunicação com todos os stakeholders”, afirma a Huawei.

Ontem, o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Robert O’Brien, que lidera comitiva em visita ao Brasil, demonstrou preocupação com a possibilidade de a Huawei participar da rede 5G brasileira. “O Brasil é um país ‘high tech’, como Israel, Cingapura, países com indústria aeroespacial, de defesa, de mineração e tecnologia. Estamos preocupados que a China vai se voltar mais e mais para países como o Brasil”, disse ele durante passagem pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Especialmente se vocês tiverem a Huawei na sua rede 5G, haverá ‘backdoors’ [portas de acesso a sistemas] e a capacidade de decifrar quase todos os dados que são gerados em qualquer lugar do Brasil, seja pelo governo, na frente de segurança nacional, seja por empresas privadas em suas habilidades de inovar e desenvolver novos produtos, técnicas e práticas”, afirmou O’Brien. “Estamos recomendando fortemente que nossos parceiros, incluindo o Brasil, usem apenas fornecedores confiáveis em sua rede de 5G.”

Segundo O’Brien, o futuro do sucesso econômico do Brasil e dos EUA “vai depender de nossos criadores conseguirem capitalizar e lucrar com suas ideias”, disse. “A propriedade intelectual deve ser protegida, para encorajar mais inovação. Conter o roubo de propriedade intelectual, especialmente por parte da China, será um trabalho duro, mas crítico”, afirmou.

Hoje, o diretor sênior interino para o Hemisfério Ocidental no Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Joshua Hodges, disse que, “diferentemente na China”, o país norte-americano não pratica uma “diplomacia predatória” com o Brasil, baseada em ameaças.

De acordo com Hodges, os EUA não estão dizendo que o Brasil não deve fazer negócios com a China, mas estão oferecendo alternativas a fornecedores chineses. “Há competição lá fora. Está disponível. Os EUA estão dispostos a financiar.” Ele acrescentou que a China, por sua vez, está dizendo que o Brasil deve usar sua tecnologia ou irá enfraquecer as relações comerciais entre os países — a China é o principal parceiro do Brasil, seguida pelos EUA.

Para Hodges, está bem estabelecido que China e Huawei não apoiam a transparência. Ele diz que a potência asiática não busca usar sua tecnologia em benefício da população, mas do próprio Estado.

Em visita ao Brasil, o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Robert O’Brien, alertou para os riscos da Huawei na cadeia do 5G — Foto: Marcos Corrêa/PR

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