A GloboNews teve acesso à íntegra da decisão do juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal, que autorizou a prisão de Fabrício Queiroz, que ocorreu nesta quinta-feira (18), no interior de São Paulo. Entre os principais destaques estão a influência de Queiroz com milicianos no Rio de Janeiro, repasses de ex-assessores para conta de Queiroz no valor de R$ 2.039.656,52 e saques na conta do investigado que totalizam quase R$ 3 milhões (veja mais detalhes abaixo).

“A prisão dos investigados [Queiroz e esposa] há de ser decretada par asseguramento da aplicação da lei penal, haja vista que foi exaustivamente demonstrado pelo Ministério Público que ambos estão se escondendo, recebendo auxílio de terceiro, que possivelmente detém autoridade sobre os referidos investigados”.

O rastreamento dos celulares apontou que Queiroz e a esposa se referiam a uma terceira pessoa como “anjo”. Segundo o MP, essa pessoa tinha “poder de mando”. A sentença não explicita quem seria o anjo. Mas, em uma ds mensagens, Queiroz diz estar na casa do anjo. Queiroz foi preso na casa do advogado Frederick Wassef.

Fabrício Queiroz, ex-assessor e ex-motorista do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), foi preso em Atibaia, interior de São Paulo, na manhã desta quinta-feira (18). O mandado de prisão preventiva – sem prazo para acabar – foi expedido pela Justiça do Rio de Janeiro, num desdobramento da investigação que apura esquema de “rachadinha” na Assembleia Legislativa do estado (Alerj).

No esquema, segundo a investigação, funcionários de Flávio, então deputado estadual, devolviam parte do salário, e o dinheiro era lavado por meio de uma loja de chocolate e através do investimento em imóveis. Queiroz foi preso quando estava em um imóvel de Frederick Wássef, advogado da família Bolsonaro.

Fabrício Queiroz chegou ao Rio de Janeiro de helicóptero, às 12h07, direto para a Cadeia Pública em Benfica. No local existe uma central de audiência e de custódia.

Posteriormente, Queiroz foi transferido para o Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, por volta das 15h25 desta quinta-feira (18).

Por questões de segurança e por conta da pandemia do novo coronavírus, o ex-assessor cumprirá um período de isolamento social durante 14 dias no presídio.

O advogado Paulo Emílio Catta Preta assumiu a defesa de Fabrício Queiroz e foi até a Cadeia Pública de Benfica, Zona Norte do Rio, no início da tarde desta quinta.

Catta Preta foi advogado do ex-capitão do Bope Adriano Nóbrega, morto na Bahia em fevereiro deste ano. Nóbrega era acusado de ser o líder do grupo miliciano Escritório do Crime.

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) postou nas redes sociais nesta quinta-feira (18) que encara com “tranquilidade” a prisão do seu ex-assessor, Fabrício Queiroz. Disse ainda que a prisão é uma tentativa de “atacar” o presidente Jair Bolsonaro, seu pai.

“Encaro com tranquilidade os acontecimentos de hoje. A verdade prevalecerá! Mais uma peça foi movimentada no tabuleiro para atacar Bolsonaro. Em 16 anos como deputado no Rio nunca houve uma vírgula contra mim. Bastou o presidente Bolsonaro se eleger para mudar tudo! O jogo é bruto!”, escreveu o senador no Twitter.

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