Uma decisão recente da Justiça vai fazer com que as eleições municipais deste ano soem mais familiares. Políticos, a partir de agora, estão liberados para fazer paródias com qualquer canção – mesmo sem autorização dos autores.

Tiririca (PL-SP) fez uma paródia da música O Portão, de Roberto Carlos, e da cena do comercial da Friboi, cantando de branco, em frente a um piano e um prato de carne, que “Brasília é seu lugar”.

O humorista angariou mais de 1 milhão de votos e foi eleito deputado federal como o segundo mais votado de São Paulo. Tiririca não pediu autorização aos detentores dos direitos da música, e por isso acabou processado pela gravadora EMI.

– Essa decisão faz jurisprudência, vai ser usada como precedente. Agora, qualquer pessoa vai pegar qualquer música, botar qualquer letra e falar que é paródia -, diz Leo Wojdyslawski, advogado especializado em propriedade intelectual.

Paródias de músicas conhecidas, contudo, podem trazer vantagens. Elas são mais facilmente identificadas e soam mais familiares ao eleitores. Em 2018, por exemplo, uma paródia de Let It Be, clássico dos Beatles, com menções religiosas e a expressão “ele sim” no refrão, viralizou a ponto de ser compartilhada pelo próprio então candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro.

Na mesma época, o cantor Leoni, ex-parceiro de Paula Toller no Kid Abelha, fez uma versão da música Pintura Íntima” de autoria dos dois, em campanha para Fernando Haddad, do PT. Por uso indevido, Toller moveu e ganhou uma ação contra o candidato, o partido e o ex-namorado.

REAÇÕES A decisão não foi bem recebida entre os autores. “Isso é roubo e revanchismo”, tuitou a cantora Zélia Duncan. Ela também afirmou que “ninguém quer ter sua música alterada para enaltecer alguém que você não admira”.

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