Imagens de satélite do continente africano têm mostrado uma impressionante mancha marrom cobrindo o Oceano Atlântico nos últimos dias. O fenômeno, também conhecido como “nuvem de poeira Godzilla” ocorre em decorrência do deslocamento de ar seca e empoeirada vinda do deserto do Saara, que se move em direção às Américas.

Até o momento, a tempestade já percorreu cerca de 5 mil km pelo mar e atingiu as terras do Caribe, onde tem transformado a paisagem de cidades como San Juan, em Porto Rico, que conta com um céu exuberantemente azul na maior parte do ano.

Ok, last dust pic for today and this one is perhaps the most incredible yet. The comparison photos were sent to me from Mirco Ferro who lives in St. Barthelemy. Check the dates in the photos (top is from March) – both are unfiltered or altered in any way. #SAL #DUST pic.twitter.com/FBwOG5ly1E

De acordo com os especialistas do Instituto De Estudos de Ecossistemas Tropicais da Universidade de Porto Rico, a locomoção da nuvem de poeira é um fenômeno que ocorre em todos os anos, mas que tem apresentado uma maior concentração de partículas em comparação com os registros dos últimos 50 anos.

A chegada ao Caribe representa apenas metade do percurso que a tempestade de poeira pode alcançar nessa temporada, segundo os pesquisadores. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) alertou que a massa de ar também deve atingir países da América do Sul e América Central nos próximos dias.

Existe uma recomendação para o uso de máscaras em países atingidos pela nuvem de poeira vinda do Saara. Autoridades também tem transmitido um alerta para os navegadores do Oceano Atlântico, visto que a espessa massa prejudica a visibilidade em alto mar.

A poeira mineral contida na nuvem absorve uma grande quantidade de luz solar, fazendo com que a massa de ar esquente e seja responsável por regular a temperatura de algumas áreas do planeta. Seus minerais também contribuem para repor nutrientes do solo e ajudar na vida de algumas espécies que vivem nas águas internacionais.

Entretanto, a nuvem de pó também pode representar alguns riscos à saúde humana. De acordo com os especialistas do NOAA, a massa de ar estaria associada ao aumento de casos de furacões e ciclones na América do Norte e seus químicos ameaçam algumas espécies de corais.

A diminuição da umidade do ar causada pelo ar seco e empoeirado também pode gerar irritações na pele e nos pulmões humanos. O alto índice de partículas nocivas aumenta a chance de problemas respiratórios, o que deve ser um risco elevado em meio a pandemia do novo coronavírus.

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