As bolsas mundo afora amanheceram em queda nesta segunda-feira, em meio ao embate entre Rússia e Arábia Saudita pelos preços do petróleo que fizeram o valor do barril cair mais de 20%. O Ibovespa caiu mais de 10% com menos de meia hora de pregão, e um recurso conhecido como circuit breaker precisou ser acionado.

É uma espécie de mecanismo contra o pânico (algo como “quebrador do circuito”, na tradução do inglês). Com o recurso, a B3 tem o direito de parar o pregão caso as quedas sejam muito fortes, como aconteceu nesta manhã.

O tempo pelo qual o pregão é interrompido varia. Quando o Ibovespa recua mais de 10% ante o fechamento anterior, o pregão é interrompido por meia hora. Se, na volta, a baixa chegar a 15%, os negócios são paralisados por mais uma hora. Caso as perdas encostem em 20%, a B3 decide por quanto tempo as transações ficarão suspensas.

A última vez em que esse mecanismo foi acionado foi na manhã de 18 de maio de 2017, o chamado “Joesley Day”, quando a notícia de que um dos donos da processadora de alimentos JBS, Joesley Batista, havia gravado uma conversa com o então presdiente da República Michel Temer, na qual o político admitia práticas de corrupção. Os crimes poderiam levá-lo ao impeachment, ameaçando os trâmites da reforma da Previdência, vista como chave para retabelecer o crescimento do país. Na ocasião, os negócios na bolsa foram interrompidos por 30 minutos após o Ibovespa recuar mais de 10%. 

A primeira vez que o circuit breaker foi acionado na história brasileira foi em 1997, devido à crise financeira asiática. Depois disso, vieram paralisações da bolsa em datas como os ataques de 11 de setembro, a crise na Rússia em 1998 ou a adoção do câmbio livre no Brasil em 1999.

Antes do Joesley Day, o circuit breaker havia sido acionado pela última vez quase dez anos antes, em 22 de outubro de 2008. O motivo era a crise financeira mundial após a bolha das hipotecas nos Estados Unidos, que levou o pregão brasileiro a ser interrompedio cinco vezes naquele mês de outubro.

Mecanismos parecidos existem nas bolsas do exterior, todos com o mesmo objetivo: evitar que as ações caiam a níveis muito baixos e muito rapidamente em dias de grande choque nos mercados. Nos Estados Unidos, negociações também foram paralisadas na manhã desta segunda-feira, depois que o S&P 500, índice que reúne as principais empresas americanas, caiu mais de 7%.

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