RIO – A despeito dos problemas de saúde que o fizeram cancelar uma turnê, o Ozzy Osbourne que chega esta sexta-feira às plataformas de streaming com o álbum “Ordinary man” é um homem vibrante. Quer dizer: tão vibrante quanto pode ser o Príncipe das Trevas, a voz que 50 anos atrás apavorou o mundo com lançamento do primeiro álbum do grupo Black Sabbath. Em entrevista à revista “Kerrang”, Ozzy inclusive comparou os dois álbuns, separados por meio século, a partir da semelhança de terem sido feitos em um curto espaço de tempo — o que, segundo ele, colaborou muito para preservar uma desejada espontaneidade.

Décimo segundo álbum de uma carreira solo que dura quatro décadas — e o primeiro a ser lançado em 10 anos — “Ordinary man” surpreende por estar despido da ortodoxia metal dos solos anteriores. O que se poderia lamentar, em se tratando de Ozzy, um dos inventores e porta-bandeiras do estilo, mas que no fim das contas lhe fez muito bem. Retrato de um sobrevivente, esse disco nasceu do encontro do cantor de 71 anos com o muitíssimo bem-sucedido rapper americano Post Malone, de 24, que o chamou para gravar com ele a canção “Take what you want” — um sucesso que apresentou o inglês a toda uma nova geração.

Com Post Malone, veio o guitarrista Andrew Watt, de 29 anos, produtor de discos de rap como o “Invasion of privacy”, de Cardi B, que assumiu o leme (e a guitarra) de “Ordinary man”. E com Andrew, vieram por suas vez músicos de rock fora curva, como o baixista dos Guns N’RosesDuff McKagan e o baterista dos Red Hot Chili PeppersChad Smith, que deram ao disco a sua cara: pesada e palatável, com flexibilidade para acomodar de Post Malone e o também rapper Travis Scott ao patrimônio do pop-rock Elton John.

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É com o mesmo grito de guerra “alright now!”, com que abria o terceiro álbum do Sabbath (“Master of reality”, de 1971) que Ozzy inicia “Straight to hell”, faixa de abertura de “Ordinary man”. Com solo de Slash, mestre das seis cordas dos Guns N’Roses, a faixa já lançada como single, tem peso não apenas nas guitarras: é um retrato sem retoques das agruras do cantor com o seus longevos problemas com drogas. “Aproveite o passeio, vou plantar minha amarga semente / você vai se matar e eu vou assistir você sangrar”, canta ele. É um rock com riffs empolgantes e a sonoridade dos atuais tempos (muitos efeitos, principalmente na voz de Ozzy), bem como as faixas seguintes, “All my life” e a gótica “Goodbye”.

Também lançada em single anteriormente, a faixa-título é tão de Ozzy Osbourne quanto de Elton John: uma power ballad conduzida por piano, com versos que falam da redenção após todas as inconsequências da vida de estrela de rock (“tantas vezes eu perdi o controle, tentaram matar o meu rock’n’roll / lembre-se apenas de que eu ainda estou aqui por você”). A presença de Slash, com mais um solo de guitarra, reforça ainda mais a impressão de que Ozzy e Andrew Watt tentaram fazer a sua “November rain” (hit dos Guns) e… bem, chegaram perto de conseguir.

Uma gaita doce abre “Eat me”, mas é só cortina de fumaça: o que vem é um hard rock suingado com um misto de sensualidade e malevolência na voz de Ozzy — um bom argumento para a tese do cantor de que a descontração durante a gravação teria valido mais que os recursos de edição no estúdio. Já “It’s a raid” (com Post Malone, single lançado esta quinta-feira) se apresenta como a melhor novidade do disco: levada punk acelerada de um Motörhead, refrão pop, gritos e profanidades ditas pelo cantor — algo que não se esperaria mais dele.

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Mas, de resto, “Ordinary man” investe é no lado mais gótico, trevoso-mas-não-tanto do Ozzy que se revelou em “Take what you want” (incluída no álbum, é claro). “Under the graveyard”, “Today is the end” e “Holy for tonight”, todas exibem a voz inconfundível do inglês sob moldura delicadamente entalhada (coros femininos de igreja, inclusive, para dar um charme), com potencial para atingir os fãs juvenis de Post Malone sem revoltar os que seguem o Príncipe das Trevas ao longo das décadas.

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