Palmeiras x Coritiba foi um jogo totalmente diferente dos outros 15 que o Coxa disputou neste Campeonato Brasileiro. Na melhor atuação da temporada, a vitória por 3×1 foi justa e pode representar um ponto de virada na campanha alviverde. Basta que o técnico Jorginho compreenda que a decisão de um time mais agressivo, corajoso e ofensivo levou o time a conquistar os três pontos nesta quarta-feira (14) no Allianz Parque.

Após arrancar empates ou perder partidas com uma postura defensiva, a mudança radical de atitude rendeu frutos. E é desta forma, com as devidas adaptações para cada confronto, que o Coritiba tem que proceder daqui por diante. Afinal, se a retranca não adiantou muita coisa, um jogo bem mais equilibrado rendeu uma atuação acima da média.

Na escalação, Jorginho tomou decisões – algumas de acordo com seus preceitos, outras um pouco fora do padrão. Decidiu sacar Gabriel do time. Mas não apareceram nem Sarrafiore nem Neílton, e sim Yan Sasse. Era um novo desenho tático, porque Yan, Giovanni Augusto e Robson teriam mais liberdade de movimentação.

A defesa tinha muitas mudanças. Na zaga, o treinador fez o mais prudente – escalou Henrique Vermudt, mesmo que fosse uma estreia no time profissional, e não improvisou um volante. E sem Matheus Sales e Nathan Silva, o escolhido no meio foi Matheus Galdezani. O Coxa se armava de chutadores de média distância e prometia um jogo mais ofensivo. Rodrigo Muniz, que chegou agora, já virava titular, com Ricardo Oliveira indo para o banco.

Diante de um Palmeiras que apressou o retorno de Weverton e Gabriel Menino da seleção, mas que preservava Raphael Veiga e Willian, o Coritiba arriscou uma marcação mais adiantada no início do jogo. E funcionou. Na jogada pela direita, Giovanni Augusto cruzou para Robson chegar nas costas de Felipe Melo para abrir o placar. O que é inacreditável é a demora para a análise do VAR de um possível impedimento. Foram quase quatro minutos de paralisação até a confirmação.

Era simbólico que nos dez minutos mais agressivos do Coxa na “era Jorginho”, o gol saiu e o domínio foi alviverde. O time jogava mais à vontade, aproveitando os buracos na marcação palmeirense. William Matheus podia até escolher o caminho para atacar, pela ponta ou pelo meio. Os donos da casa carregavam nas faltas e perdiam a cabeça. E após a jogada de Galdezani, Robson acertou um chutaço para ampliar a vantagem.

Ficava evidente o quanto de tempo que o Coritiba tinha perdido com um jogo medroso. O que estava sendo feito com o Palmeiras poderia ter sido também feito no mínimo diante do Fortaleza. No Allianz Parque, havia uma posse de bola propositiva, presença no campo de ataque, movimentação pelos lados do campo. Também havia Galdezani no lugar onde ele sabe jogar, Robson com liberdade, William Matheus apoiando. Diante de um adversário em frangalhos, o Coxa fazia o melhor jogo do ano.

Mas as falhas individuais ainda atingem o Coritiba. No erro de Natanael, o Palmeiras teve seu primeiro lance de perigo, e Gabriel Veron marcou para os donos da casa. Vanderlei Luxemburgo já tinha feito mudanças, colocando Willian e Ramires, e colocado o time no ataque. Na volta do intervalo, também entraram Lucas Lima e Rony. E Gabriel reapareceu no Coxa, entrando no lugar de Yan Sasse. O posicionamento alviverde era mais visando o contra-ataque.

A aposta ficou mais clara quando Neílton entrou no lugar de Rodrigo Muniz. E na primeira arrancada dele, o passe foi para Robson, que cruzou entre os zagueiros para Giovanni Augusto, que fez seu melhor jogo desde que chegou ao Alto da Glória, fazer o terceiro. O jogo estava resolvido. E mais uma vez o futebol mostrava lições em tempo real. O medo não leva ninguém a lugar nenhum. Com mais coragem, o Coritiba pode ter um Brasileirão bem melhor do que teve até agora.

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