O Manchester City segue na cola do Liverpool na Premier League. E para se aproximar dos Reds, os Citizens têm uma arma poderosa: Gabriel Jesus. Com apenas 22 anos, o brasileiro começou a temporada com o pé direito. Em 13 partidas pela equipe de Pep Guardola, ele já marcou cinco vezes (são 777 minutos em campo). Números para lá de comemorados pelo atacante no bate-papo com a reportagem do Esporte Espetacular.

– Esse começo de temporada, para mim, está sendo muito bom. Muito diferente do começo da temporada passada. Venho jogando, venho fazendo gols. Estou muito contente, não só com os gols, mas também com as minhas performances – analisou.

– Não sei se aqui no City ou na Seleção. Espero que saia logo. Muito importante chegar… Fazer mais marcas, histórias… Como atacante eu quero estar sempre fazendo gols. Espero que saia logo e se for para sair com a Seleção que saia logo.

A partir do dia 10, Gabriel Jesus estará reunido novamente com a seleção brasileira para os dois últimos amistosos de 2019. No dia 15, o Brasil vai enfrentar a Argentina, em Riad, na Arábia Saudita, e quatro dias depois, a Coreia do Sul, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. Após o bom desempenho na Copa América, atuando mais aberto pelas pontas, o atacante seguiu com boas performances e tem sido o destaque da equipe de Tite.

Na conversa, Gabriel Jesus tentou encontrar uma explicação para a fase da seleção brasileira. Desde o título da Copa América, o Brasil já entrou em campo em quarto oportunidades e não venceu nenhuma partida. Foram três empates e uma derrota.

– Na verdade, eu não sei te explicar o que está acontecendo. Na minha opinião, acabou não encaixando. Não posso falar porque não estive nos dois primeiros jogos (Gabriel estava suspenso nos dois primeiros amistosos após a Copa América). Tivemos jogadores chegando, precisando de uma adaptação. Acredito que esses dois próximos jogos serão bem diferentes em questão de resultados. Claro que a gente queria ganhar. Todos os jogos a gente quer ganhar, mas nem sempre acontece, como não aconteceu – analisou o atacante.

Na entrevista, Gabriel Jesus falou do aprendizado com Guardiola, do Flamengo de Jorge Jesus e de como o time brasileiro pode superar o Liverpool caso chegue a uma eventual final do Mundial de Clubes, dezembro, no Catar.

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A Copa América serviu para você ganhar fôlego para esse início de temporada na Europa? Gabriel Jesus: Podemos dizer que sim. Fiquei apenas 20 dias de férias, perdi pouco o meu físico. Voltei antes do que estava combinado para voltar. Eu queria disputar a final, chegar mais cedo. Treinei apenas dois ou três treinos. Essa foi a minha pré-temporada. Acredito que sim. A Copa América não só ajudou em questão de físico, mas também em questão de confiança.

Você já enfrentou a Argentina algumas vezes, foi bem na Copa América… Enfrentei eles três vezes. Ganhei duas e perdi uma. Gosto… Dérbi, jogo grande, quem não gosta de jogar jogo grande? Gosto bastante de jogar jogo grande. Espero que a gente possa fazer um excelente jogo e conquistar a vitória que será importante.

Conversou com o Aguero sobre o clássico contra a Argentina? A gente comenta às vezes. Eu, Ederson, Fernandinho, Otamendi e o Aguero também. Acredito que ele vá ser convocado, assim como o Otamendi. Quando estiver lá será cada um defendendo o seu.

Nos últimos amistosos, durante um dos treinos, nós vimos o Tite conversando com você sobre posicionamento. Ele nos revelou numa coletiva. Você prefere atuar aberto pelos lados do campo? Acho muito difícil dizer… Ah essa é a posição. Eu comecei no Palmeiras como ponta. Mostrei um pouco do meu futebol como ponta. Depois fui adaptando o meu futebol como centroavante. Cheguei na Seleção, fiz gols como centroavante, vinha jogando como centroavante. Na Copa América, o Tite optou por me colocar de ponta. Eu já joguei de ponta. A maior parte da minha carreira foi de ponta. Não esqueci. Sei como é o movimento com e sem a bola. Eu me sinto muito à vontade. Pude jogar, mostrar um pouco do meu futebol ali, que consigo jogar tranquilo. Não posso falar que eu tenho preferência. Óbvio que eu gosto mais de jogar pela ponta, como eu disse para ele. Mas tanto o Tite como o Guardiola, onde me colocarem eu vou estar à disposição para trabalhar e melhorar sempre.

Você fica mais longe do gol como ponta? Com certeza mais longe do gol. O centroavante fica mais perto e acaba tocando menos na bola, tendo menos espaço. Gosto de jogar de centroavante. Mas minha posição, hoje, como eu disse, eu me sinto muito à vontade para jogar de ponta. Mais liberdade para o um contra um na velocidade. Gosto de ajudar a equipe. Ali eu acabo ajudando mais. Nos últimos jogos com a seleção eu tenho conseguido dar assistência, no um contra um tenho conseguido levar vantagem e deixar os meus companheiros em boa condição para fazer o gol. No pouco que eu consegui mostrar ali estou ajudando bastante.

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O que aprendeu nos últimos anos trabalhando com o Guardiola? Venho aprendendo, né? São poucos, mínimos os detalhes, que você nem acaba prestando atenção que está aprendendo. Conforme o tempo vai passando você vai vendo que está bem melhor nisso e não estava. Com o Guardiola vem sendo assim, tenho aprendido bastante. Saí do Brasil, cheguei aqui um pouco afobado, querendo jogar, pegar a bola, indo para cima… Hoje estou mais calmo, tempo certo de driblar, de chutar. Essas coisas eu tenho aprendido bastante.

Como é o Guardiola no dia a dia? Bastante acelerado, um cara intenso. Eu também sou, mas ele como técnico é muito intenso. Admiro isso nele. Tento focar o máximo possível para aprender mais e mais e o meu time também. Não é à toa que a gente vem fazendo história com a camisa do City, ganhando partidas, troféus. E conquistando. Acredito que está fazendo um bom trabalho aqui.

E o estilo de jogo… Acho que isso depende bastante do conceito do jogo do treinador, do conceito de jogo do time. Muito diferente quando você joga com um time que briga para ser campeão. Quem está com a bola tenta fazer o gol e quem não está tenta tomar para fazer o gol também. Às vezes você joga com um time que defende mais, que não briga tanto pela bola, que quer defender mais. Muito diferente. Tem time que gosta de estar com a bola e tem time que gosta de defender para ter uma oportunidade de contra-ataque. Tem muitos técnicos que gostam de jogar para cima. Porém, com a sua forma de montar o time, com os seus jogadores, posição do clube.

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Como são as rivalidades na Inglaterra? Minha segunda temporada foi com o United, que brigamos pelo título e logo após ganhamos. Ano passado foi com o Liverpool. Esse ano também está sendo com o Liverpool. Uma briga sadia. Quando saí do Palmeiras era com o Santos, que era muito boa equipe. Importante ter esses dérbis assim, esses jogos de rivalidade, onde o couro come. Quem ganha fica bastante feliz.

Você acha que um time brasileiro tem condições de vencer o Liverpool numa eventual final de Mundial de Clubes? Sendo sincero, como jogador de futebol, acho que sim porque é o futebol. Venho acompanhando o futebol brasileiro, o Flamengo, que tem um baita de um elenco, com grandes jogadores, o treinador também. O time vem jogando muito bem. Óbvio que se tratando de enfrentar uma equipe europeia, que está há anos em alto nível, é diferente do que o nosso país está acostumado. Porém, eu como jogador, sei como é o futebol e acredito que tem como enfrentar. Não sei se pau a pau, frente a frente, porém tem como ganhar. É o futebol. Não podemos desacreditar do futebol e eu como brasileiro sempre quero que uma equipe brasileira ganhe o Mundial.

Vai dar conselhos para o Gabigol de como ele pode passar pelo Van Dijk (zagueiro do Liverpool)? Ele assiste. Óbvio que tem a final ainda, mas o Flamengo tem tudo para ganhar, ser o campeão. O Flamengo sendo campeão, indo para o Mundial disputar uma final, acredito que ele vai estudar bastante. (NR: O Flamengo vai enfrentar o River Plate, no dia 23, em Santiago, em jogo único da final da Libertadores)

Você é novo e já viveu tanta coisa… Por muita coisa que eu vivi tanto no Brasil nos dois anos que vivi no Palmeiras que foram intensos. Na seleção foram intensos os anos que vivi lá, que estou vivendo. Já estou completando três anos de seleção. Parece pouco, mas já vivi tanta coisa. Acredito que em questão de idade às vezes esquecem, mas quero sempre estar trabalhando tranquilo e realizando os meus sonhos.

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