São Paulo – Em momentos de crise de saúde global, o uso dos termos corretos é um dos fatores que necessita maior atenção – afinal, o uso de uma palavra errada para se referir a uma crise pode gerar uma histeria generalizada. Por meio de uma transmissão ao vivo, a Organização Mundial da Saúde declarou, nesta quarta-feira (11), que o novo coronavírus é uma pandemia – o que significa que o vírus é considerado, a partir de agora, capaz de viajar continentes.

Para entender no que se diferem os termos mais utilizados para se referir a casos como esse – surto, epidemia e pandemia -, é preciso começar pelo mais inofensivo, em questão de quantidade de infectados. Especialistas consideram que uma doença passa a ser um surto quando diversos casos acontecem em uma mesma região – como, por exemplo, quando surgem diversos casos de dengue em uma cidade pequena.

Já o termo epidemia se refere aos casos que se espalham por mais regiões – como se fosse uma progressão do surto. Isso acontece quando diversas regiões de um município, de um estado ou de um país registram casos de uma mesma doença. Uma epidemia pode ser, portanto, uma preocupação a nível municipal, estadual ou nacional.

Marcos Boulos, professor de moléstias infecciosas e parasitárias da Faculdade de Medicina da USP, disse à EXAME que é comum que o Brasil tenha epidemias geradas por vírus da gripe – por exemplo, o H1N1. De acordo com ele, os vírus transmitidos por vias respiratórias se espalham com maior facilidade: “A transmissão de doenças como o coronavírus se iniciam pela alimentação mas, assim que o vírus sofre mutação e se adapta ao organismo do homem, ele passa a ser transmitido pela respiração”, diz Boulos.

O pior dos casos é a pandemia. Para receber essa classificação, é preciso que sejam registrados casos da doença em todos os continentes. Além do Covid-19, que teve início em janeiro e recebeu a classificação de pandemia hoje, a gripe asiática que aconteceu em 1957, também se encaixa na definição: em cerca de 10 meses, a pandemia atingiu a Austrália, a Índia, a Europa, a África e os Estados Unidos, causando cerca de 70 mil mortes.

Devido ao aumento do trânsito de pessoas entre os continentes, especialistas acreditam que o risco de pandemia aumentou consideravelmente em relação ao passado. Sendo assim, a transmissão do vírus é mais difícil de ser controlada – em menos de dois meses, o Covid-19 chegou a todos os continentes, exceto a Antártida. De acordo com Boulos, os casos no Brasil tendem a aumentar consideravelmente, mas as medidas preventivas deverão ser mais debatidas no futuro.

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