O Quarto Branco apareceu pela primeira vez no programa em 2009, a nona edição do BBB. Newton atendeu o Big Fone e escolheu Ralf e Leo para dividirem o castigo, que consistia em permanecer por horas dentro de um cômodo simplista, todo branco, com apenas alguns móveis e apenas um botão vermelho ao centro.

Eles só sairiam de lá se alguém desistisse do programa apertando o botão, ou se o indicado por eles ao Paredão fosse eliminado do reality. A espera não demorou muito: Leo acabou desistindo do desafio no dia seguinte à entrada no quarto.

O que pouca gente sabe, entretanto, é que em alguns cantos do mundo uma versão mais radical do Quarto Branco é utilizada como forma de tortura — e por muitos é tida como uma das ferramentas mais cruéis da tortura moderna.

White torture, ou “tortura branca” A white torture, ou “tortura branca”, é um método de tortura psicológica que inclui isolamento e privação sensorial intensas. Ela consiste em vestir uma pessoa de branco e colocá-la em um cômodo da mesma cor.

A luz do ambiente nunca se apaga e tanto as paredes quanto o piso são construídos de modo que nenhum som do mundo externo entre no cômodo. Os barulhos feitos por quem está lá dentro também são minimizados, para que a experiência seja o mais silenciosa possível. 

O método já foi utilizado em países como Irlanda do Norte, Estados Unidos, Venezuela e Irã. Segundo depoimentos de sobreviventes da tortura, em algumas ocasiões até mesmo a comida é branca: arroz.

A white torture se tornou particularmente conhecida em 2004, quando o iraniano Amir Fakhravar foi preso e passou pelo procedimento. “Não vimos cor, toda a cela era branca, o chão era branco, nossas roupas eram brancas e a luz, durante 24 horas, era branca. Nossa comida também era arroz branco”, contou Fakhravar à CNN. “Não podíamos ver nenhuma cor e não podíamos ouvir nenhuma voz.”

Segundo o iraniano, ele deveria avisar os guardas, que usavam sapatos acolchoados para abafar qualquer som, que precisava utilizar o banheiro colocando um papel branco embaixo da porta. Após permanecer preso por oito meses, Fakhravar foi solto e conseguiu fugir do Irã para os Estados Unidos.

“Eu estive lá por oito meses e, depois desse tempo, não conseguia me lembrar dos rostos dos meus pais”, lembrou o ex-prisioneiro. “Quando eles me libertaram daquela prisão, eu não era uma pessoa normal.”

De acordo com especialistas, a tortura branca é prejudicial ao ser humano por diversos motivos — e danos cerebrais podem ocorrem em apenas três dias sob tais condições. Um estudo de 2016 realizado por especialistas da Universidade de Portsmouth, na Inglaterra, mostrou que a falta de interação social por períodos prolongados faz com que tenhamos dificuldade de distinguir a realidade da fantasia. Como seres humanos, somos essencialmente sociais: não evoluímos para viver sozinhos, e o isolamento pode provocar danos psicológicos.

Um teste realizado em 1951 pelo psicólogo Donald Hebb revelou que, após um período desprovidos de estímulos sensoriais, a capacidade mental dos voluntários de sua pesquisa diminuiu consideravelmente. Segundo o pesquisador, os participantes não conseguiram realizar simples testes matemáticos depois do experimento.

Além disso, como a pessoa torturada é colocada em um cômodo em que a luz nunca se apaga, alguns dos processos biológicos são afetados. Afinal, distinguir o dia da noite é essencial para o bom funcionamento do nosso ciclo circadiano, que é o nosso relógio biológico. É esse elemento que comanda muitos dos processos hormonais do corpo e também o sono, por exemplo. Logo, desregular esse ciclo é também desordenar nosso funcionamento interno.

No BBB é diferente Apesar de ser parecido, o Quarto Branco do BBB tem diferenças fundamentais do método de tortura citado acima. Primeiramente, os participantes não estão isolados: entram sempre em duplas ou trios, o que os ajuda a manter a sanidade.

Além disso, a prova não tem o intuito de torturar os brothers, que estão sempre sendo monitorados pelos organizadores do programa. Outro fator importante é que eles sabem que em algum momento serão liberados do castigo, ou seja, não é a vida deles que está em jogo.

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