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Morreu hoje o cantor e guitarrista Renato Barros, líder do Renato e Seus Blue Caps, aos 76 anos. Ele fez fama na época da Jovem Guarda e seguia na ativa, nos palcos.

A notícia foi compartilhada pela filha, Érika Barros. O músico precisou ser operado com urgência na semana passada, após ser diagnosticado com uma dissecção da aorta. Após a cirurgia delicada, ele ficou em estado grave, teve complicações pulmonares e não resistiu.

Parece nome de cirurgia, mas, na verdade, a dissecção da aorta é uma condição. A aorta é o maior vaso sanguíneo do corpo humano, por isso a dissecção dela é considerada uma emergência médica grave, que pode levar à morte em questão de minutos. “É um evento catastrófico para o corpo”, afirma Alexandre Giovanini, cirurgião vascular e endovascular do Hospital Santa Lúcia, de Brasília*.

O médico explica que o quadro acontece quando o revestimento interno da aorta se rompe, fazendo com que o sangue passe a fluir por entre essa camada e a externa, que ainda está intacta. Isso faz com que as duas se separem, ou seja, sejam dissecadas.

O problema é que o fluxo de sangue da aorta é intenso e exerce uma forte pressão sobre a parede do vaso. Isso pode resultar em duas consequências: ou a artéria terá alguns ramos obstruídos, criando falta de circulação em membros e órgãos (processo chamado de isquemia); ou ela irá se romper, provocando uma hemorragia que pode ser de grandes proporções.

São consequências semelhantes às que encontramos no aneurisma que resulta em AVC (acidente vascular cerebral). Nele, o vaso sanguíneo do cérebro se dilata de forma anormal como se fosse uma “bexiga” e, conforme vai aumentando por conta da pressão interna, pode romper e causar sangramento.

No caso do aneurisma isquêmico na aorta, a falta de circulação pode impedir que o sangue chegue até o coração, causando uma parada cardíaca. Se a artéria se romper, dependendo do tamanho do sangramento, a dificuldade em controlá-lo pode levar o paciente à morte em questão de minutos.

A principal causa da dissecção da aorta é a deterioração da parede da artéria. Isso pode ser provocado por fatores como hipertensão arterial, placas de gordura acumuladas nas paredes do vaso ou mesmo o envelhecimento natural (que provoca uma alteração na qualidade dos vasos do corpo).

Dados da American Heart Association indicam que a dissecção de aorta acomete principalmente homens na faixa dos 60 anos. O problema, no entanto, também pode aparecer em pessoas jovens, especialmente se eles possuírem alguma condição de saúde que afete a aorta ou a válvula aórtica.

A doença tem duas classificações: o tipo A acomete a parte superior da aorta (chamada de aorta ascendente), é considerado o mais comum e o mais perigoso; e o tipo B, que acontece na aorta descendente e segue em direção ao abdômen.

O mais assustador do quadro é que grande parte dos pacientes passa a vida sem saber que tem um aneurisma. “É uma doença silenciosa e a maioria das pessoas só descobre quando ele se rompe”, afirma Julio Pereira, neurocirurgião da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

De acordo com o médico, isso acontece porque os aneurismas costumam ser assintomáticos. “A dor só vem quando ele se rompe, e aí é uma dor muito forte, aguda”, explica. Pereira reforça que o problema é grave e necessita de ajuda urgente. Dependendo do caso, o tratamento pode ser cirúrgico ou incluir a colocação de uma prótese para revestir a parede da aorta e reestabelecer o caminho correto para o fluxo sanguíneo.

O processo é semelhante à colocação de um stent (espécie de mola que abre o vaso sanguíneo em ocorre a obstrução). A diferença é que, enquanto o stent é vazado, parecido com uma rede, a prótese é fechada justamente para impedir que o sangue circule por outros caminhos.

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