O Bahia venceu o Bragantino na tarde deste domingo pelo placar de 2 a 1 (confira os melhores momentos no vídeo abaixo), no estádio de Pituaçu, em Salvador. Durante o primeiro tempo, o Tricolor foi mais propositivo e controlou o ritmo da partida. Porém, na segunda etapa, com a vantagem no placar, a equipe baiana cedeu campo para o adversário, levou o empate e só conseguiu garantir os três pontos nos acréscimos, com o zagueiro Ernando, de cabeça.

Na coletiva concedida após a partida, Roger Machado negou que a postura mais defensiva no segundo tempo tenha sido uma orientação para o grupo durante o intervalo. O treinador pontuou que os momentos de domínio se alternam durante os 90 minutos, e que tentou aproveitar os espaços que o Bragantino deixou ao buscar o gol de empate. Porém, a estratégia não deu certo.

– Não esperamos. O adversário, com a qualidade do seu jogo, em alguns momentos, nos empurra para trás. Como time, em alguns momentos, precisamos saber sofrer o jogo. Significa entender o jogo, usar as costas do adversário com velocidade. Quando conseguimos, chegamos no gol adversário com número de jogadores suficiente para tentar o segundo gol. Em outros, acabamos, de certa forma, empurrados pelo adversário, e precisamos saber sofrer o jogo. Não vamos jogar só no campo adversário. A gente não vai jogar só em posse, temos que saber alternar em bloco mais alto e mais baixo. A medida que os jogadores vão cansando, a pressão mais alta fica mais prejudicada. Aí a gente lança mão do banco para tentar manter a mesma força ofensiva dentro do campo adversário.

Autor do gol tricolor, Ernando dedicou o lance para as vítimas do coronavírus no Brasil. Segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa, o país tem mais de 107 mil mortes por coronavírus, com registro de mais de 3,3 milhões de infectados.

No futebol, apenas na primeira rodada das Séries A, B e C, 74 jogadores foram diagnosticados com a doença e acabaram afastados dos jogos. A CBF precisou adiar duas partidas (Goiás x São Paulo, pela Série A, e Treze-PB x Imperatriz-MA, pela Série C) por causa do excesso de atletas infectados de Goiás e Imperatriz, e decidiu mudar alguns itens do protocolo de saúde contra a Covid.

Roger Machado felicitou Ernando pelo gol e, com base no discurso do zagueiro, criticou a realização de jogos no momento em que os números indicam que a doença ainda não está controlada.

– Ernando foi premiado com uma bela partida. Gol nos acréscimos. A gente se habituou a entender, nesse um ano e meio, que com o Bahia não se deve desistir nunca. Sei que ele deu um depoimento emocionado, tem alguns familiares hospitalizados com Covid. Importante que o torcedor saiba que o jogador não é máquina. Dentro dessa conjuntura que a gente vive, também estamos muito ansiosos e preocupados. A partir do momento que começou o Campeonato Brasileiro, com os casos que sucedem dentro da competição, com as viagens que teremos, isso será recorrente. O que tenho dito é que dizem que 2,5% de quem pega esse vírus tem complicações mais graves. Pergunto a quem organiza o campeonato se um revólver, com 50 buracos de bala, se tem uma bala, você coloca na cabeça e faz roleta russa? Não faz. Isso que a gente está fazendo hoje no futebol brasileiro. Colocando em risco a saúde dos atletas em detrimento do futebol.

Apesar das críticas de Roger Machado, o Campeonato Brasileiro já tem rodada programada para os próximos dias. O Bahia entra em campo na quinta-feira, às 20h (de Brasília). O adversário será o São Paulo, no Morumbi.

– No momento que tivermos semana aberta para treinar, a gente tem que estimular saída de bola, se manter confiante para sair trocando de lá de trás. Mas em alguns momentos a gente tem que entender o que o adversário está propondo. Se o adversário está com seis, sete jogadores no nosso campo, temos que induzir uma saída curta e buscar profundidade, as costas de uma defesa bem alta. Talvez estejamos sem conseguir entender o momento do jogo, o que a partida está pedindo. De qualquer forma, os adversários estão marcando mais alto, com pressão, e não é fácil de lá de trás, não é fácil sair jogando em uma conjuntura onde o adversário coloca muitos jogadores dentro do seu campo.

– As modificações iniciais foram para fechar um corredor que estava sendo bastante utilizado. A gente poderia ter explorado, roubado a bola e ter um pouco mais de tranquilidade para achar os espaços, como achamos em alguns momentos. O que a gente precisa compreender é que é uma sobreposição de um esquema sobre o outro. Você não vai dominar o adversário o tempo inteiro, seja na sua casa ou na casa do adversário. Quando o adversário está melhor, você tem que saber sofrer e não levar gols. Entender o jogo e contra-atacar. A alternância da posse de bola e do domínio do jogo muda no decorrer do jogo, com alterações, posicionamento, postura mias agressiva. A temporada tem sido, recentemente, desgastante. Por isso a gente tem optado por rodar mais a equipe, para ter mais frescor em campo.

– O ritmo do adversário, domínio técnico do adversário. Muito mais do que questão física. Evidente que com o passar do tempo as duas equipes vão cansando. E você com o placar na frente, gera dúvida entre ter o ímpeto de fazer o segundo gol ou manter o placar conquistado. Em alguns momentos, o adversário vai nos dominar. Precisamos entender o contexto do jogo, jogar com ele.

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