O calendário das festas populares de Salvador se inicia nesta sexta-feira (4), com as comemorações ao Dia de Santa Bárbara, que é a representação de Iansã no sincretismo religioso. Em meio à pandemia, os devotos precisaram adaptar as tradições para manter as demonstrações de fé.

Neste ano, as missas dedicadas à santa serão fechadas e com limitação de público, por isso, as baianas, que são devotas do orixá, não vão seguir o hábito da distribuição dos acarajés, em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Pelourinho, Centro Histórico.

Apesar de serem figuras religiosas representativas completamente diferentes, o orixá Iansã e a católica Santa Bárbara são celebradas no mesmo dia na Bahia, unidas apenas pelo sincretismo.

A presidente da Associação Nacional das Baianas de Acarajé (Abam), Rita Santos, explica que a decisão de não distribuição dos acarajés foi tomada para evitar as aglomerações que propagam o coronavírus. Ela também cita que muitas baianas são do grupo de risco e também não podem se expor.

2 de 5 Procissão de Santa Bárbara, em Salvador, no ano de 2019, quando não havia pandemia da Covid-19 — Foto: Max Haack/Ag Haack

Procissão de Santa Bárbara, em Salvador, no ano de 2019, quando não havia pandemia da Covid-19 — Foto: Max Haack/Ag Haack

“Não vai ter distribuição esse ano. As missas não poderão ter muito público, houve uma lista de presença que já foi fechada. O padre pediu para não fazer nada na porta da igreja para não provocar aglomeração. De qualquer forma, nós não faríamos porque a maioria das baianas é de grupo de risco. Muitas são diabéticas, têm pressão alta, glaucoma… Não por causa da idade, porque temos baianas novas, mas por causa do trabalho mesmo”.

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“Temos baianas que já faleceram com Covid, outras que estão doentes e muitas sem trabalhar. Estamos nos adaptando, mas esse ano não vamos fazer. Nosso caruru também, que é feito no dia 7, também não vai acontecer. Festejos só no ano que vem, sem pandemia e com vacina”, disse Rita Santos.

Na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, os católicos também terão limitações. Apenas três missas serão realizadas. A primeira começa a partir das 7h, restrita apenas aos membros da Irmandade dos Homens Pretos.

3 de 5 Devoto no banho de alfazema com a imagem de Santa Bárbara nas mãos, no quartel do Corpo de Bombeiros, em Salvador. Foto do ano de 2019, quando não havia pandemia da Covid-19 — Foto: Max Haack/Ag Haack

Devoto no banho de alfazema com a imagem de Santa Bárbara nas mãos, no quartel do Corpo de Bombeiros, em Salvador. Foto do ano de 2019, quando não havia pandemia da Covid-19 — Foto: Max Haack/Ag Haack

As próximas serão às 9h e 11h30, e contarão com um número limitado de 50 fiéis em cada celebração. Todas as vagas já foram preenchidas e os outros devotos poderão acompanhar a missa pela internet.

A procissão secular que reúne católicos, candomblecistas e umbandistas, para formar o belo “tapete vermelho” também foi suspensa. A igreja não informou se é a primeira vez que ela não será realizada.

Santa Bárbara, que é padroeira do Corpo de Bombeiros, também terá homenagem da corporação. Diferente dos anos anteriores, quando a celebração foi feita no pátio do quartel histórico da Barroquinha, esse ano a missa não será aberta ao público.

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Apenas bombeiros participarão da missa, em um número limitado para evitar aglomerações. No entanto, assim como a missa do Pelourinho, os fiéis também poderão acompanhar a celebração pela internet. A transmissão será feita no canal do YouTube do Corpo de Bombeiros da Bahia.

4 de 5 Juliana Bárbara é devota de Iansã e Santa Bárbara. Foto de 2017. — Foto: Arquivo Pessoal

Juliana Bárbara é devota de Iansã e Santa Bárbara. Foto de 2017. — Foto: Arquivo Pessoal

Da mesma forma que os católicos farão celebrações fechadas para membros de suas congregações, muitos terreiros também farão as homenagens a Iansã de forma adaptada, apenas com filhos de suas casas.

Assim será no terreiro Ilê Asé Omi Dolá, no bairro de Castelo Branco, também em Salvador. A publicitária Juliana Bárbara Carvalho, que pertence à casa e é filha de Oyá, disse que as medidas para evitar o coronavírus também foram tomadas.

“Diminuímos bastante o tamanho e [o festejo] passou a ser restrito também. A gente não convida mais ninguém e nem vai ter a distribuição dos akarás [acarajé], vai ser uma coisa bem pequena, só a oferenda para o orixá mesmo”, conta ela.

“Não é uma tradição que vai ser quebrada, ela vai ser adaptada. A gente não vai deixar de fazer, mas vai ser nessas condições”, disse Juliana Bárbara.

Para Juliana, a adaptação é chave para que se mantenha a devoção e o cumprimento das medidas sanitárias ao mesmo tempo.

“A palavra esse ano é adaptação. A gente não pode deixar de fazer, não pode deixar de fortalecer o sagrado, mas vamos adaptando e fazendo de acordo com os protocolos e seguindo. Porque, querendo ou não, o terreiro é uma comunidade onde tem pessoas do grupo de risco, crianças, adultos com doenças crônicas, idosos. Então a gente vai fazer cumprindo o protocolo. A gente prefere fazer só a gente mesmo, que mora, para evitar encher a casa”, destacou ela.

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5 de 5 Missa de Santa Bárbara durante festejos à santa em Salvador, no ano de 2019, quando não havia pandemia da Covi-19 — Foto: Max Haack/Ag Haack

Missa de Santa Bárbara durante festejos à santa em Salvador, no ano de 2019, quando não havia pandemia da Covi-19 — Foto: Max Haack/Ag Haack

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