Steve Bannon, ex-estrategista-chefe da Casa Branca da gestão de Donald Trump, foi indiciado e preso nesta quinta-feira (20) sob a acusação de desviar dinheiro de uma campanha de apoio à construção de um muro entre os Estados Unidos e o México –uma das promessas da campanha de Trump em 2016.

A campanha “We Built That Wall” (nós construímos o muro, em tradução literal) arrecadou US$ 25 milhões (cerca de R$ 142 milhões, na cotação atual) que foram doados de centenas de milhares de pessoas.

Segundo o Departamento de Justiça, ao menos US$ 1 milhão (R$ 5,64 milhões, na cotação atual) teria ido para o próprio Bannon, que usou o dinheiro em outras de suas organizações ou para ele mesmo.

Além dessa fraude, Bannon também é indiciado por conspiração para lavagem de dinheiro. Cada um dos crimes pode levar à pena máxima de 20 anos de prisão.

Para esconder o fluxo ilícito de dinheiro os quatro faziam repasses do montante arrecadado com a campanha por uma organização sem fins lucrativos de Bannon e por uma empresa de fachada controlada por um dos outros acusados, segundo a acusação.

A rede MSNBC ouviu pessoas ligadas a Bannon que afirmaram que ele não deverá se declarar culpado. Ele deverá ser ouvido em uma corte ainda na tarde desta quinta-feira.

“Esse caso serve de aviso para outros fraudadores, de que ninguém está acima da lei, nem sequer um veterano de guerra com necessidades especiais ou um estrategista milionário”, afirmou, em nota, o inspetor encarregado do caso, Philip R. Bartlett.

Bannon é tido como um dos responsáveis pela vitória de Trump nas eleições de 2016. Ele virou estrategista-chefe da Casa Branca quando o atual presidente assumiu, em 2017, mas não ficou muito tempo no cargo: ele foi demitido em agosto daquele ano.

A construção de um muro entre os EUA e o México foi uma das promessas de campanha de Trump. Uma apuração da agência Reuters descobriu que mais de 330 mil pessoas doaram dinheiro para esse fim.

Donald Trump afirmou que se sente muito mal pela prisão de seu antigo estrategista. O presidente dos EUA afirmou que não lidava com Bannon há muito tempo e que não conhecia o projeto de onde os fundos teriam sido desviados.

Bannon é líder do grupo The Movement, que reúne conservadores no mundo todo. Em janeiro de 2019, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL/SP), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), disse em uma rede social que Bannon o escolheu para liderar o movimento no país. “Satisfação em ser o líder do The Movement para América Latina ao lado de Steve Bannon”, escreveu Eduardo na legenda de uma imagem em que aparece abraçado a Bannon.

Steve Bannon e Jair Bolsonaro durante um encontro na embaixada do Brasil em Washington, em 17 de março de 2019 — Foto: Alan Santos/Presidência da República/Via AFP

No mês seguinte, fevereiro de 2019, Eduardo publicou outra foto ao lado de Bannon. “Bate papo agradável agora com Steve Bannon, unindo forças contra o domínio cultural esquerdista/marxista”, disse o deputado. A marcação na rede social indica que os dois estavam em Washington.

Em março daquele ano, Bannon encontrou-se com o presidente Bolsonaro em um evento na embaixada do Brasil nos EUA definido pelo Palácio do Planalto como “jantar com formadores de opinião”, em Washington. Bannon sentou-se do lado esquerdo de Bolsonaro – à direita estava o escritor Olavo de Carvalho.

Há quase um ano, em setembro de 2019, Eduardo voltou a se encontrar com Bannon, desta vez em Nova York. Eduardo estava na cidade para assistir ao discurso de seu pai na Assembleia Geral da ONU.

Na mesma época, Eduardo convidou Bannon para vir ao Brasil participar de um seminário no Senado, num evento intitulado Ambientalismo e Geopolítica, mas o americano acabou não vindo.

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