As hashtags #NeverTrump e #NastyWomen (Trump Nunca e Mulheres Desagradáveis) tomaram o Facebook e o Twitter. Os eventos finais de campanha de Hillary Clinton incluíram expressões de apoio irrestrito por Beyoncé, Bruce Springsteen e Lady Gaga.

Os países e candidatos são diferentes, eu sei, mas os argumentos são bizarramente parecidos. E pode-se perceber que um determinado segmento da sociedade brasileira —a centro-esquerda pró-democracia, o tipo de gente que lê (e escreve) colunas em jornais como a Folha— está começando a relaxar, um pouquinho. “Viu só? As pessoas civilizadas estão se unindo. Tudo vai ficar bem.”

O que aconteceu nos Estados Unidos, então? Basicamente, Hillary e seus partidários se concentraram tanto na oposição a Trump que se esqueceram de falar sobre as questões que importavam para a maioria dos eleitores: desemprego, imigração e assim por diante.

Jamais esquecerei de uma mulher que estava assistindo a um comício de Trump: questionada por um repórter de TV como ela justificava votar em um homem como ele, ela respondeu: “Trump pode dizer o que quiser, desde que ajude meu marido a arrumar emprego”, foi a resposta.

No Brasil, as pesquisas de opinião pública indicam que as questões mais importantes para os eleitores incluem a economia, a corrupção e o crime. A verdade é que Fernando Haddad e o Partido dos Trabalhadores têm enorme dificuldade para lidar com as três.

Tragicamente, depois de quatro longos anos de escândalo e crise econômica, apenas 8% dos brasileiros dizem que a democracia representativa é uma forma de governo “muito boa”, o menor total entre os 38 países pesquisados pelo Pew Research Center. Os argumentos quanto à sua importância certamente serão recebidos com pouca simpatia.

Isso inclui uma estratégia nacional mais efetiva de combate ao crime, reconhecimento dos erros passados do partido quanto à corrupção e deixar claro que a política econômica será mais parecida com a do primeiro mandato de Lula do que com a do primeiro mandato de Dilma.