Corria o ano de 2003. Diretamente de Newport Beach, Orange County, no estado da Califórnia, chegava uma das séries mais emblemáticas do milénio. Quinze anos depois, o nosso desejo de viajar de carro pela Pacific Coast Highway ao som de California 2005 dos Phantom Planet não mudou. E é tudo graças a The O.C..

No passado domingo, durante mais um típico scroll pelo Instagram, fomos confrontadas com a dura realidade: The O.C., a série que nos deu Ryan Atwood, Seth Cohen, Marissa Cooper e Summer Roberts completava quinze anos. As memórias começaram a surgir com a mesma força das nossas lágrimas quando, em 2007, a série abandonou o pequeno-ecrã. Fomos ouvir Death Cab For Cutie, cantámos California, here we come como se o mundo fosse acabar amanhã, e decidimos que estava na altura de recuperar os DVD’s empoeirados e rever os noventa e dois episódios das quatro temporadas de uma das séries mais marcantes de qualquer adolescente dos anos 2000. 

Como em qualquer série televisiva ou longa-metragem, a escolha dos atores passa pelas mais diversas fases, e The O.C. não fugiu à regra. Durante o processo, a personagem de Ryan Atwood, interpretada por Ben McKenzie, foi quase dada ao ator Chad Michael Murray, que recusou o papel para integrar o elenco de One Three Hill. O cenário repetiu-se com a personagem de Marissa Cooper, que esteve perto de ser interpretada por Olivia Wilde. A atriz acabou por fazer parte de The O.C. entre 2004 e 2005, onde assumiu o papel de Alex Kelly, um dos interesses amorosos de Marissa Cooper. 

“Queríamos que fosse claro que esta série era tão sobre os pais como sobre os filhos, e tínhamos este ator maravilhoso num dos papeis principais”, disse Schwartz sobre Peter Gallagher, o primeiro ator a ser escolhido para o elenco da série como Sandy Cohen. Com aquelas sobrancelhas, quem conseguiria resistir?  

O que seria de The O.C. sem Summer Roberts? Nada. No entanto, quando a série chegou ao pequeno-ecrã, a personagem tinha sido pensada como uma guest star, e não como um membro permanente do elenco – algo que só aconteceu no sétimo episódio da primeira temporada. 

A série que nos deu alguns dos momentos musicais mais emblemáticos da televisão, de Californa 2005 dos Phantom Planet a Hide and Seek dos Imogen Heap, sem nunca esquecer o amor incondicional por Death Cab For Cutie (obrigada, Seth Cohen), não foi a praia de todos os artistas musicais da altura. “A única banda, que me lembro, de nos ter dito que não, foram os Arcade Fire porque, nessa altura, não queriam dar licenças para as suas músicas”, recordou Schwartz numa entrevista ao TV Guide. 

Em 2012, numa entrevista à revista Glamour, a atriz conhecida por interpretar Summer Roberts desvendou a resposta. “Provavelmente o episódio do Homem-Aranha, quando beijei o Seth de cabeça para baixo”. Não podemos dizer que discordamos da escolha: da chuva a cair à química das personagens, a cena continua a ser uma das mais memoráveis da série, e aquela que todas nós sonhamos recriar um dia. 

Apesar de Seth Cohen ser um velejador nato durante as quatro temporadas da série, a verdade é que Adam Brody tinha medo de andar em barcos na vida real. Quem estava, então, a comandar o barco Summer Breeze no episódio The Ties That Bind, quando Seth Cohen decide abandonar Newport e fazer-se ao mar ao som de Hallelujah? Para nossa grande surpresa, foi um duplo de quarenta anos com uma peruca que protagonizou o final emotivo da temporada de estreia. 

Alguma vez parou para pensar no porquê de nunca termos visto, ao longo de mais de noventa episódios, Seth ou Ryan a mergulharem na piscina da casa dos Cohen? A resposta está na profundidade de menos de um metro, que obrigava os atores a andarem de joelhos sempre que filmavam cenas dentro de água – ou, alternativamente, e porque estamos a falar de The O.C., em colchões insufláveis. 

Quando Ryan Atwood e Luke Ward se encontram no primeiro episódio da primeira temporada, as temperaturas quentes de Newport Beach fazem a testosterona das personagens subir a pique. O resultado, entre muitos outros, é um confronto físico em plena praia (spoiler alert, Ward ganha este combate) e a cena que nos deu “Welcome to the O.C., bitch”: uma das frases mais memoráveis da série que foi, na verdade, improvisada no momento. 

Apesar de Schwartz e da sua equipa não gostarem, inicialmente, de Adam Brody para o papel de Seth Cohen, a escolha não poderia ter sido mais acertada. Para além do sentido de humor e charme nerd que derreteu o coração de todas as adolescentes do milénio, o ator adorava improvisar durante as gravações da série, e rezam os rumores que tinha um talento nato – de tal modo que a equipa concordou em deixar Brody gravar as suas cenas de duas maneiras, uma segundo o guião, e outra a improvisar as suas próprias falas. 

Quando Summer Roberts e Seth Cohen percebem que todas as estrelas estavam alinhadas para Princess Sparkle e Captain Oats, os seus cavalos de brincar, serem o casal mais icónico da ficção, foi amor à primeira vista. A ideia para estas personagens? Foi o pai de Schwartz, que trabalhava na Hasbro, que introduziu a memorável Princess Sparkle – e o criador da série ainda guarda os dois cavalos no seu escritório. 

Parece impossível imaginar Sandy, Kristen e Seth com outro apelido que não Cohen? Em entrevista ao The Huffington Post, Josh Schwartz revelou que o nome de família estava muito perto de ser outro. “Originalmente, quando comecei a escrever o guião da série, a família Cohen chamava-se Needleman, que era um apelido ainda mais judeu”, disse o criador da série. 

“Allow me to introduce you to a little something that I like to call Chrismukkah”: as palavras de Seth Cohen deixaram todos os fãs da série rendidos à magia da junção das palavras Christmas e Hanukkah numa única designação que, you guessed it, foi totalmente inventada. “Ouvi imensas pessoas a dizer ‘Oh! Eu celebro o Hanukkah e o Natal. Os meus pais acreditam em religiões diferentes e agora posso usar o Chrismukkah’. Foi uma forma de dar um nome a algo que muitas pessoas estavam a experienciar, mas que não sabiam bem que designação atribuir”, disse o criador da série ao The Huffington Post. 

Numa das cenas do sétimo episódio da segunda temporada, intitulado The Family Ties, Seth Cohen refere-se a si mesmo “como aquela rapariga que vomita no filme O Sexto Sentido”. Propositado ou não, a rapariga a que a personagem se refere foi interpretada por Mischa Barton, isto é, Marissa Cooper em The O.C.. 

Numa altura em que as séries estavam longe de nos dar momentos à Game of Thrones – entenda-se, mortes inesperadas e uma lista de estratégias memorizadas para evitar spoilers -, o final da personagem Marissa Cooper foi um dos mais trágicos da história, mas o que aconteceu na vida real foi, talvez, ainda mais chocante. Numa entrevista ao Access Hollywood, quando os rumores corriam de que Mischa Barton queria abandonar The O.C., a atriz fez o impensável. “É verdade. A minha personagem morre”, disse a atriz sobre o destino reservado para Marissa Cooper no final da terceira temporada. 

Nem Ben McKenzie consegue preencher o vazio que The O.C. deixou. Numa entrevista de 2014 ao Hollywood Life, o ator fez-nos sentir que a nossa obsessão, passe o tempo que passar, continua a ser justificável. “Todos os anos, sento-me e revejo as quatro temporadas da série”, disse o eterno Ryan Atwood. California, here we come – como quem diz, binge-watching The O.C. again, here we come. 

Do vestido em malha metálica usado por Paris Hilton e recriado por Kendall Jenner ao sucesso das botas Ugg ou dos coordenados Juicy Couture, mergulhámos no arquivo dos anos 2000 e reunimos cinco momentos de estilo que estavam destinados a regressar à indústria da Moda.