O que são filmes picantes? Seriam aqueles onde o sexo é, se não explícito, fortemente implícito na história? Seriam aqueles mais carnais mesmo, onde o sexo é o motor do roteiro e as imagens fazem o sangue ferver? Para mim, um filme picante é aquele que provoca os sentidos. Alguns deles, por exemplo, nem precisam ter cenas de sexo. Um olhar pode ser muito mais potente do que uma roupa sendo rasgada. Um toque nas mãos pode fazer mais estrago do que qualquer exposição de nudez – gratuita ou não.

Pensando nisso, listar os melhores filmes picantes disponíveis na grade da Netflix foi um trabalho ainda mais subjetivo do que qualquer outra lista. Isso porque é muito claro que aquilo que é picante para uma pessoa pode ser um balde de água gelada em outra… e justamente um balde de água gelada pode ser excitante para uma terceira pessoa. Somos todos muito diferentes e, não sendo a Netflix um streaming pornô, os filmes selecionados são completamente diferentes entre si. Um ou mais deles pode ter cenas mais explícitas, mas não é essa a questão… a intenção fala mais alto aqui.

Há um motivo sempre muito influente quando se tenta elencar filmes dessa forma: a identificação. Quando se trata de desejo, tudo ganha outras proporções, porque mexe com a imaginação… e isso é algo quase sagrado, além de ser, sobretudo, intransferível.

Pensando nisso, a ideia das minhas listas de cinema geralmente é indicar. Sem a menor pretensão de criar algo exato, definitivo ou qualquer coisa do tipo, os filmes citados e brevemente resenhados mais abaixo servem como indicações para quem não os assistiu ou para quem gostaria de reassisti-los. Para mim, é óbvio que, dentro do catálogo da Netflix, podem ser encontrados outros tão bons quanto, mais picantes – que seja –, mas, como dito, isso vai depender de questões subjetivas do imaginário e, claro, do gosto pessoal (até por isso a lista é, apesar de curta, bem diversa).

Dando a impressão de estar sempre buscando emular o cinema de Pedro Almodóvar, Kiki: Os Segredos do Desejo é um filme irreverente que conta com um elenco especialmente afiado. Muitos dos momentos mais engraçados chegam a ser ultrajantes (o que é um elogio aqui) e, quando as situações parecem passar do limite, há sempre uma certa empatia procurando envolver o espectador. Não consegue, de fato, copiar Almodóvar (e quem consegue?), mas é um exemplo de um filme picante com muito humor.

A picância desse filme é de uma maneira ampla: Ele enfrenta uma certa repressão sexual existente na Índia e traz quatro histórias íntimas de quatro mulheres diferentes. Todos vão além de uma simples contação, transformando seus objetos em seres humanos extremamente palpáveis. Há sempre um sentimento de compaixão exposto com muita maturidade. Quatro Histórias de Desejo é um filme (ou quatro) sensível e, ao seu modo, muito atraente.

Divertido – muito divertido – e com um conteúdo intensamente político, A Arte de Amar é um filme feminista que não deixa muito espaço para assexuais. A positividade sexual está no foco e ela é, inclusive, um motor instigante de risadas. Um filme que merece ser descoberto ou, pelo menos, muito mais visto no catálogo da Netflix.

A roteirista e diretora brasileira Fernanda Pessoa traz à tona o mundo da pornochanchada, com esse documentário fundamentalmente marcado pela montagem (de Luiz Cruz). Histórias Que Nosso Cinema (Não) Contava revela o lado humano do universo do soft porn brasileiro, misturado a humor e realizado em pleno período de ditadura militar. É interessante e fundamental perceber que o filme não explica absolutamente nada diretamente… porque deixa as imagens falarem por si. E elas (as imagens) conseguem.

Toda a picância de Carol está principalmente nos olhares. Basta perceber as vezes em que a personagem título (interpretada por Cate Blanchett) baixa a guarda com relação à Therese (Rooney Mara) para entender do que um olhar é capaz. Acima de tudo, Carol é um filme comovente, que usa da química entre as personagens para que o simples desejo de andar de mãos dadas em público seja cobiçado pelo espectador.

Agora, ficam aí os comentários. Como sempre, foi difícil fazer uma lista com um material tão subjetivo, mas tenho certeza que vocês podem complementar e enriquecer tudo. Ficaram filmes de fora, então vamos conversando, debatendo… de repente, aumentando a lista.

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