A pedido do GLOBO, a Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (DAPP-FGV) fez um levantamento a partir de dezenas de milhões de postagens no Twitter sobre o Oscar e seus indicados para saber quais filmes e artistas se destacaram no debate público desde o anúncio das indicações da Academia, em 13 de janeiro, até a última segunda-feira, 3 de fevereiro.Confira o resultado completo no link.

“Coringa” é o campeão em menções no Twitter, com “Parasita” e “História de um casamento” na sequência. Foram levantadas publicações em inglês e português, o que permite perceber algumas diferenças entre a discussão global e a brasileira. O caso mais evidente é o de “Democracia em vertigem”, que supera amplamente em menções os demais documentários concorrentes ao Oscar, por conta do polarizado debate nacional sobre a cineasta Petra Costa e a visão que ela imprime sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff na obra.

Quem também foi catapultado pela política foi Leonardo DiCaprio: o astro de “Era uma vez em…Hollywood” é mais falado no Brasil do que no exterior, mas não só por sua atuação nas telas. No total, 21% das menções a DiCaprio em português abordam a política brasileira, referências à pauta ambiental e o encontro do ator (e de Brad Pitt) com Petra Costa. Pitt é outro que engaja muito mais por outros assuntos: no caso dele, os dois eixos centrais de discussão são mensagens sobre sua beleza e sua possível reaproximação da atriz Jennifer Aniston, com quem foi casado.

Astros em “História de um casamento”, Adam Driver e Scarlett Johansson surgem na liderança entre os indicados aos prêmios de melhor ator e atriz. No caso de Driver, 9% das menções em inglês são por conta de Kylo Ren, seu personagem na saga “Star Wars”. Já Scarlett, indicada também a atriz coadjuvante em “Jojo Rabbit”, é foco de questionamentos sobre a sua dupla consagração em contraste com a ausência de outras atrizes, principalmente não brancas, na premiação.

Também foram mapeados nomes esnobados pela Academia: elogiada por sua atuação em “Nós”, Lupita Nyong’o ficou de fora da lista de atrizes indicadas. No período, a atriz queniana teve 35.600 menções em português e 153.200 em inglês, volume muito superior às 20,4 mil menções totais de Renée Zellweger, favorita à estatueta por “Judy — Muito além do arco-íris”.

Mais lamentada ainda foi a ausência de Greta Gerwig, de “Adoráveis mulheres”. Gerwig, cujo volume de menções em inglês chegou a 277,8 mil, foi eixo central de discussões sobre o fato de que apenas homens foram indicados ao Oscar de melhor diretor. E, de forma inusitada, acabou recebendo um “impulso” de citações por conta da ativista Greta Thunberg: 6% das menções em inglês à cineasta fazem referência ao nome “Greta” sob o contexto do Oscar, mas confundem os sobrenomes, como se a jovem sueca fosse a artista. E, se em inglês Gerwig foi a ausência mais questionada, no Brasil houve mais lamentos sobre “Dois papas” (42,5 mil tuítes em português), longa dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles que não entrou na lista dos indicados a melhor filme.

Entre os diretores, o popular Quentin Tarantino lidera o debate nas duas línguas. Mas a surpresa é o desempenho de Bong Joon-ho, de “Parasita”. Até então um nome desconhecido do grande público no Ocidente, o diretor sul-coreano chega a se aproximar de perto do impacto obtido por Tarantino em inglês, com 108 mil menções contra 118 mil do americano.

Um conto surpreendente que tem a desigualdade social como pano de fundo, “Parasita” deixa evidente o seu apelo global: o filme recebeu quase 1 milhão de menções em inglês em mais de cem países (inclusive no Brasil) e, entre os tuítes em português, só não foi mais citado que “Coringa”.

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal

Comentários