Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes e representante da Coreia do Sul para o Oscar 2019, Parasita (Parasite) é uma comédia antenada com o descontentamento em relação à desigualdade social e à disparidade de renda entre pobres e ricos. Dirigido por Bong Joon-ho (responsável pela distopia O Expresso do Amanhã e pelo simpático Okja), o longa-metragem integra a programação da 43ª Mostra Internacional de Cinema.

A família de Ki-taek sofre com o desemprego de todos os seus membros e não consegue pagar o próprio wi-fi. Sem muito talento para conseguir dobrar caixas de pizza, o único bico que conseguiram, a situação muda quando o garoto é recomendado para dar aulas de inglês para uma adolescente rica. Ele logo vê a oportunidade de empregar toda a sua família na casa da patroa, mesmo que para isso tenha que mentir para eles e ainda passar a perna nos atuais empregados.

Com leveza e bom humor, o longa-metragem coloca o público do lado da família de vigaristas, tratando a plateia como cúmplices desses pequenos golpes para arrumar um emprego em um cenário de pobreza e desesperança. Nesse contexto, enquanto a família pode ser vista como vítima do sistema, os patrões são vítimas da família, pois sequer desconfiam de que estão sendo enganados – na verdade, são retratados como ricos ingênuos que, aos poucos, vão deixando entrar esses “parasitas” em sua casa. É uma luta de classes, em suma.

O filme ainda surpreende com um detalhe inesperado que gera uma grande confusão na segunda metade de projeção. Embora se perca no final, explicando demais o destino dos personagens, quando cabia melhor um desfecho mais aberto, Parasita é um bom filme, que coloca o público para se deliciar com as pequenas (outras, nem tanto) maldades do ser humano quando o desemprego, ou uma oportunidade de enriquecer fácil, bate à porta.