Cantora que polarizou opiniões divergentes, manifestadas com paixão pelo público ao longo da sétima temporada do programa The Voice Brasil, a carioca Priscila Tossan era uma das favoritas para chegar à final marcada para amanhã, 27 de setembro. Até porque a torcida favorável era maior do que o público que se incomodou com o estilo do canto da artista, marcado tanto por chiado carioca quanto por suingue singular.

Mas Priscila perdeu para Isa Guerra, na disputa do time do técnico Lulu Santos. E Priscila perdeu por conta da escolha equivocada da música que cantou na semifinal. Numa fase em que a vitória do intérprete é decidida sobretudo pelo voto popular, a cantora errou ao optar por dar voz a Bom senso, música pouco sedutora do repertório do cantor carioca Tim Maia (1942 – 1998) na mística fase conhecida como Racional.

Bom senso é soul lançado por Tim em 1975, na época em que o cantor estava envolvido com a seita Universo em desencanto. A letra prega inclusive a leitura de livro da seita, Imunização Racional, para o alcance do bom senso. Trata-se de música composta em caráter tão pessoal que foi gravada em disco somente por Tim.

Ao defender Bom senso, Priscila Tossan reiterou a forte personalidade da artista, mas não conseguiu dar ao soul de Tim um acento sedutor como o que dera a Negro gato (Getúlio Cortes, 1965) em apresentação anterior da cantora no programa.

A apresentação de ontem foi a pior feita por Priscila ao longo da temporada. O que motivou o público a votar na concorrente Isa Guerra. Tivesse escolhido uma música mais conhecida e mais palatável para o público brasileiro, Priscila Tossan provavelmente teria chegado à final da competição como a cantora-sensação do The voice Brasil 2018.

Embora tenha saído na semifinal, Priscila Tossan certamente permanecerá na cena nacional como a artista de extraordinária personalidade que provou ser ao longo da temporada, como ressaltou Lulu Santos. A maior voz não é necessariamente a mais possante.

Contudo, além da personalidade (qualidade fundamental para qualquer intérprete, independentemente da potência vocal), a escolha do repertório é fator decisivo para a conquista do público. Seja em competições musicais, nos shows ou nos bailes da vida.