O carioca José Marcos Couto Júnior, conhecido por todos no bairro de Realengo, na zona oeste do Rio, apenas como Júnior, é professor de história e luta pelo fim da “invisibilidade” de seus alunos de 12 a 14 anos, da Escola Municipal Áttila Nunes. Para isso, usa músicas de cantores famosos em suas aulas no subúrbio do Rio.

A ponto de partida de seu trabalho foi apresentar à turma a canção As Caravanas, de Chico Buarque, que trata de jovens da periferia do Rio que vão à zona sul curtir um dia de praia. “Eu via alunos presos dentro de Realengo, sem perceber que o mundo é muito maior. Quis mostrar que eles são importantes, têm história e merecem ser vistos. Assim o trabalho foi crescendo”, conta o extrovertido professor de 34 anos.

A meta de Júnior é desenvolver a autoestima dos adolescentes e promover um debate sobre preconceito e representação na sociedade. O professor é apaixonado por música e seu repertório em sala de aula não se limita aos clássicos: passa pelo romantismo cafajeste de Vando até o popular funk carioca.

“Sou bastante eclético e, como minha luta é por visibilidade, seria um erro eu tentar podar os garotos ou impor que o que eles escutam é bom ou ruim. Eles têm de descobrir sua própria identidade.” Seu projeto ainda inclui uma releitura da Lei Áurea, visitas a teatros e produção de textos que foram reunidos em um livro, Que Sejam Lidos, Que Sejam Vistos.

Com o êxito de Caravanas, limites da visibilidade, Júnior conquistou um lugar entre os dez melhores professores do ano pelo Prêmio Educador Nota 10, promovido pelas fundações Victor Civita e Roberto Marinho. Ele agora tem a chance de ser vencedor do título Educador do Ano na cerimônia que acontece no dia 1º de outubro, em São Paulo.

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