Isabel de Bragança teve uma vida curta e provavelmente muito infeliz em Espanha, mas isso não a impediu de criar aquela que viria a ser uma das melhores pinacotecas do mundo. Foi ela que fez de uma colecção de reis um museu para todos. Morreu antes de as portas se abrirem pela primeira vez, há precisamente 200 anos.

Nada mais apropriado do que o museu que deve em boa parte a sua existência a uma mulher celebre o dia exacto do seu 200.º aniversário com uma das suas principais exposições dedicada a duas pintoras, coisa inédita na sua já longa história (a primeira monográfica de uma mulher foi só em 2016, a da belga Clara Peeters). Falamos do Museu do Prado, em Madrid, da rainha que o fundou, a portuguesa Isabel de Bragança, e de Sofonisba Anguissola e Lavinia Fontana, duas artistas italianas dos séculos XVI e XVII. Francisco de Goya também lá está (e por direito, já lá iremos), numa exposição saída de um projecto mais vasto para o novo catálogo raisonné dos seus desenhos. Goya. Dibujos. “Solo la voluntad me sobra” reúne mais de 300 desenhos do autor de Os Fuzilamentos de 3 de Maio e é hoje inaugurada (fica até 16 de Fevereiro).

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