O batidão do funk predomina entre os quase 900 vídeos do KondZilla do YouTube. Mas entre tantas produções de MCs há um clipe de estilo pop romântico de um cantor com pinta de galã de novela: Lábios, de Carmel.   Surpreso, o público que já rendeu mais de 20 bilhões de visualizações ao canal aprovou a composição do artista soteropolitano de 35 anos. A maioria dos comentários tem elogios.   De olho no espaço que o romantismo vem reconquistando no cenário musical brasileiro, Carmel conversou com o blog.  Como começou seu envolvimento com a música e sua carreira profissional?    Meu pai fazia aulas de teclado e eu, com 6 anos, comecei a estudar também. Aos 15, ganhei um violão, e aí ficou mais fácil. Você não escolhe a música, a música que te escolhe. Nenhuma outra profissão que desempenhei me deixou tão realizado. Quando se faz o que ama, a gente não sente o peso do cansaço.  De onde busca inspiração para suas composições?    Em situações vividas por mim e por amigos próximos, como as dificuldades superadas. O processo acaba sendo orgânico. Você sente que aquele dia está propício para criar algo. Normalmente já existe na cabeça a ideia da música, a mensagem e um pouquinho da melodia. Passo para a folha de papel e busco no violão o campo harmônico e o tom da interpretação.  Acha que a música pop romântica ainda tem bastante espaço no Brasil?    Sempre terá. Hoje em dia, por estarmos passando por uma recessão econômica, procuro criar melodias e letras com temas de superação. Chegar ao alcance de algo desejado, uma mensagem de vitória após o esforço. O momento não é adequado pra chorar e reclamar da vida. Algo engraçado é válido também porque relaxa e deixa as pessoas mais sorridentes ao cantar. Mas o estilo musical romântico sempre vai ter espaço no mundo latino. Somos um povo que vive para a paixão.

 Qual a importância da internet, e especialmente das redes sociais, para o seu trabalho como músico?    O desejo de qualquer artista é levar sua arte para o máximo de gente. Deixá-la ao alcance de todos. A música faz bem às pessoas. É um dever do artista deixar seu público ouvinte satisfeito e realizado ao cantar. Quanto mais pessoas conhecerem o meu trabalho, maior a chance de tocá-las com o som e as mensagens positivas que quero transmitir. A internet ajuda muito a fazer isso.  Você assiste a ‘talent shows’ musicais como o ‘The Voice Brasil’? O que acha desse formato?   Acho incrível, mas entendo que são produtos voltados para intérpretes. Não vejo ninguém cantar algo que compôs sozinho ou criou com os amigos. Sempre são músicas já conhecidas. No meu caso, desejo cantar minhas canções, difundir minha obra.  Hoje, quais são os artistas que você ouve?   Ouço muito clássicos como Bob Marley, Pearl Jam e Dave Mathews. E novos nomes, como Post Malone, The Weeknd, French Montana. Entre os artistas brasileiros, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Alceu Valença, Djavan, Tim Maia, O Rappa, Charlie Brown Jr. Atualmente tenho ouvido bastante funk. O País respira funk. Gosto dos artistas do canal KondZilla e, em especial, do som do MC Menor MR.  Você gostaria de ter uma música sua em trilha de novela?    É o sonho de qualquer compositor, ainda mais se for na Globo, emissora que todo mundo assiste. Uma canção de novela que tocou muito em mim foi Oceano, do Djavan. (A música fez parte da trilha de Top Model, de 1989.) 

Com qual cantora gostaria de gravar um dueto?  Anitta, sem dúvida. Essa menina está com a luz. Possui incrível velocidade de lançar produtos novos; isso deixou o mercado da música de queixo caído. Ela não erra nas apostas musicais. Outro dia, estava com o DJ Khaled, braço direito de P. Diddy, ou seja, ela chegou até a nata da produção musical mundial.  Quais os projetos para 2019?   Farei mais lançamentos de músicas nas plataformas digitais e novos clipes. Gravei sete canções com os melhores músicos da Bahia. Tenho a sorte de ter ótimas opções para escolher o que vou lançar primeiro. Acredito muito na música em geral e na minha arte. Quero balançar o Brasil.