“Pretendemos mostrar aos turistas as dificuldades de solidão dos idosos e chamar a atenção para o que está a acontecer. Há pessoas que já são as últimas moradoras num prédio transformado em hostel. Estavam habituadas a ter vizinhos e, agora, sentem-se isoladas ao verem pessoas novas todas as semanas, com quem não falam, até pela questão do idioma”, diz Ana Gago. A lidar de perto com esta realidade no Grupo de Encontros e nas Conversas à Mesa, actividades da associação solidária nas quais é incentivada a partilha de experiências de moradores antigos da cidade, a responsável percebeu que, muitas vezes, os turistas não têm percepção do que se passa nos edifícios onde entram e saem todos os dias. “Esta realidade sai dos holofotes dos turistas porque, quando visitam a cidade, não têm um contacto com o que realmente se passa. Vamos contextualizá-los para que haja um bom convívio entre eles e os moradores”, explica.

O trabalho desenvolvido nos últimos quatro anos pela associação de cariz solidário resultou numa “súmula de memórias e curiosidades” partilhadas pelos cerca de quarenta idosos, com uma média de idades de 83 anos, acompanhados pela Associação Mais Proximidade Melhor Vida. Estas histórias serão apresentadas na visita guiada pelo centro histórico da cidade através de imagens e fotografias, sendo ainda recordados lugares e ofícios das décadas de 50, 60 e 70. Pelo caminho, haverá uma paragem no lavadouro público, vai-se contar a história dos saloios e das aguadeiras de Caneças, da inauguração das primeiras escadas rolantes, nos Armazéns Grandela, e de antigas mercearias e tascas. “Há sítios que só estão na memória e queremos recuperá-los. Sentimos, também, que só desta forma a história de vida das pessoas pode ser valorizada e preservada”, diz a responsável pela rota.

Ao longo do percurso, serão feitas paragens para conversar com os comerciantes e os moradores dos bairros e, no final da visita, poderá haver ainda um momento de partilha entre os moradores e os participantes desta rota inaugural, numa “reflexão sobre as principais mudanças e o futuro de Lisboa”, explica Isabel Bernardo, da Fora da Rota. “Queremos mostrar o que era a cidade antes e o que é agora. Apesar de ainda estarmos a testar a rota, já começamos a pensar divulgá-la junto das escolas, porque tem um pendor muito educativo”, avança ainda. A participação nesta primeira edição da rota solidária é gratuita e a inscrição deve ser feita até sexta-feira, 13 de Julho, para o e-mail geral.foradarotatours@gmail.com. Até agora, já há dezasseis pessoas inscritas. Nas seguintes edições da “(re)Viver Lisboa“, o valor por pessoa será de 25 euros, mas nos grupos superiores a dez pessoas cobrar-se-á 15 euros.