Por: Daniel Medeiros em 01/01/20 às 08h15, atualizado em 31/12/19 às 10h23

Apesar da crise que atingiu o setor audiovisual brasileiro, o ano de 2019 rendeu bons frutos para o cinema feito em Pernambuco. Filmes como “Bacurau”, “Divino amor” e “Estou me guardando para quando o carnaval chegar” conquistaram prêmios ao redor do mundo e atraíram números expressivos de espectadores. Para o novo ano que está só começando, uma nova safra de longas-metragens com DNA local também deve fazer bonito nas telonas. O calendário de estreias tem início ainda em janeiro. “Açúcar”, de Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira, chega às salas de cinema no dia 30 deste mês. O filme teve sua primeira exibição em 2017, no Festival do Rio, e desde então vem circulando por mostras e festivais ao redor do país. Incorporando elementos do realismo mágico à narrativa, a obra traz a atriz Maeve Jinkgs no papel de Bethânia, herdeira de uma decadente propriedade rural que retorna às terras da família na tentativa de reerguer a própria vida. Uma das produções aguardadas com mais ansiedade pelo público, sem dúvidas, é “Piedade”. O quinto longa de Cláudio Assis foi lançado no Festival de Brasília, em novembro, e deve estrear em circuito comercial no dia 9 de abril. O filme, que começou a ser produzido em 2017, apresenta um elenco com nomes de peso, como Cauã Reymond, Matheus Nachtergaele, Fernanda Montenegro, Irandhir Santos e Gabriel Leone. Na trama, a fictícia cidade litorânea de Piedade é abalada pela chegada de uma grande empresa petrolífera que, para explorar os recursos da região, pretende expulsar os moradores locais. Leia também:’Mistério no Mediterrâneo’ foi o filme mais popular na Netflix em 2019[Entrevista] Juliano Dornelles e Kleber Mendonça Filho: os criadores de um marco no cinema brasileiro Depois de “Tatuagem” (2013), Hilton Lacerda lançará seu segundo longa de ficção. “Fim de festa” conquistou dois prêmios, em dezembro, no Festival do Rio: melhor filme de ficção e melhor roteiro. O enredo mostra os desdobramentos do assassinato de uma turista francesa no carnaval recifense e é livremente inspirado no caso da alemã Jennifer Kloker, morta em 2010 a mando da própria sogra, em Pernambuco. Irandhir Santos e Hermila Guedes estão entre os atores. A estreia nas salas de cinema deve ocorrer no primeiro semestre.

A produção de “Fim de festa” é da Carnaval Filmes, empresa de João Vieira Jr. e Nara Aragão, que levará para as telonas mais três obras em 2020. Ainda para o primeiro semestre, será lançado “Casa”, da diretora baiana Letícia Simões, radicada no Recife há quase dois anos. O documentário acompanha o retorno da cineasta à cidade onde nasceu. Em coprodução com a portuguesa Ukbar Filmes, “Paloma” é o próximo trabalho de Marcelo Gomes. O filme conta a história da personagem-título, uma agricultora trans que resolve se casar numa cerimônia tradicional com Zé, servente de pedreiro. Já na TV, a produtora apresentará “Chão de Estrelas”, série dirigida por Hilton Lacerda, para o Canal Brasil. Os episódios retratam o cotidiano de um coletivo de teatro independente e traz os atores do Grupo Magiluth, entre outros nomes da cena teatral local, no elenco. Rodada em 2017, “Paterno”, de Marcelo Lordello, é outra produção na fila de espera. Protagonizado pelo ator Marco Ricca, o filme retrata a crise de meia-idade de um arquiteto que abriu mão dos próprios sonhos para chefiar a empreiteira da família. “A intenção é lançar no primeiro semestre. Falta finalizar, mas o corte está pronto”, revela o diretor. O longa tem parte do orçamento captada via Funcultura, coprodução com a Telecine e o Canal Brasil, mas ainda depende da liberação de uso de recursos por parte da Ancine e do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) para a conclusão do trabalho. “Enviamos a solicitação há sete meses e não tivemos resposta. Todos os projetos estão sofrendo com as estratégias de desmonte do setor”, comenta o cineasta, que planeja filmar ainda em 2020 uma série e outro filme.

A atriz e apresentadora pernambucana Fabiana Karla fará sua estreia no cinema local com “Lucicreide vai pra Marte”. Ainda sem data de estreia definida, a comédia já vem sendo anunciada no trailer de filmes que serão exibidos pelo Downtown Filmes em 2020, antes das sessões de “Minha mãe é uma peça 3”. De acordo com o diretor Rodrigo César, o longa – que começou a ser filmado em 2017 – está praticamente finalizado. “Levamos um tempo maior por conta das sequências de efeitos visuais, que não seguem o padrão normalmente visto no cinema nacional. Isso exigiu um pouco mais de trabalho da gente”, explica. A produção teve cenas rodadas em Pernambuco e em Orlando, nos Estados Unidos.

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