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São Paulo confirma seis casos do novo coronavírus; dois foram contaminados dentro do Brasil

O Ministério da Saúde afirmou nesta quinta-feira (5) que seis casos do novo coronavírus foram confirmados em São Paulo. Outros 182 suspeitas da doenças são investigadas no estado. Ao todo, o país registra oito casos confirmados da doença e 636 suspeitas, segundo o ministério.

Diferente dos quatro casos anteriores confirmados, de pacientes com histórico de viagens, os dois novos pacientes em São Paulo foram contaminados por transmissão local, ou seja, dentro do território nacional.

“Em São Paulo nós temos dois contactantes, que tiveram relação com o caso índice, que é o primeiro caso confirmado, significa que nós temos, neste contexto, transmissão local também. Então, amanhã, a Organização Mundial de Saúde, muito provavelmente, não se surpreendam se a gente for inserido, Brasil, naquela tabela da OMS como transmissão local", afirmou o Secretário de Vigilância e Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira.

"O caso número um tem a sua irmã e a filha da irmã, portanto a sobrinha, positivas e sintomáticas. Então provavelmente se contaminaram naquele almoço, e por apresentarem sintomas fizeram os exames que nós acabamos de saber que são positivas", afirma.

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, ressaltou que a confirmação de transmissão local, mas que isso não significa que ocorra transmissão sustentada. Atualmente, só há "transmissão comunitária" em países como China, Coreia do Sul e Itália.

Mais cedo, o Ministério da Saúde voltou atrás e decidiu classificar o caso da adolescente de São Paulo infectada pelo coronavírus como quarto caso confirmado. Inicialmente, o Ministério havia dito que o caso da adolescente de 13 anos não era considerado como confirmado pois ela está assintomática e não preenchia a definição para Covid-19, o que incluiria febre associado a mais um sintoma respiratório, apesar da contraprova do Instituto Adolfo Lutz ter dado positiva. A mudança de classificação ocorreu após a reunião de especialistas em Brasília nesta manhã.

"Este é um dos pontos que a gente tem discutido e levantado um debate. Ela é um caso confirmado, sim, mas ela não é um caso suspeito, pois não teve no momento do atendimento nem febre, nem um sintoma respiratório", disse o Secretário de Vigilância e Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, em entrevista à GloboNews.

Quatro elementos levaram a definição do caso como confirmado: pelo resultado do exame, pelo local provável de infecção (Itália), pela possibilidade da medicação após tratamento de uma lesão ter mascarado os sintomas e pela possibilidade de ainda ter sintomas nos próximos dias.

Mais cedo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse ao G1 que considera que todos os casos assintomáticos de coronavírus devem ser classificados como confirmados. "Toda pessoa com teste positivo para Covid-19 é considerado como um caso de Covid-19", disse em nota.

Na China, país epicentro da doença, casos assintomáticos de coronavírus também não entram na classificação de casos confirmados. Em 20 de fevereiro, a revista Nature publicou um artigo em que cientistas questionam a medida chinesa. O epidemiologista chefe do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças de Pequim, Wu Zunyou, afirmou à revista que “sempre exigiu que casos positivos não fossem contados como casos confirmados.” Segundo ele, “em vez disso, aqueles que são positivos são isolados por 14 dias e monitorados pelas autoridades de saúde. Se eles desenvolverem sintomas nesse período, serão classificados como um caso confirmado.”

A paciente de 13 anos viajou ao exterior, com passagem por Portugal e Itália, e teve uma lesão no ligamento durante a viagem, sendo medicada em um hospital italiano. Ela voltou ao Brasil neste domingo (1º) e procurou atendimento médico no Hospital Beneficência Portuguesa, na capital paulista, no dia 3 de março. Mesmo sem apresentar sintomas, os médicos coletaram amostras para teste para coronavírus que foi encaminhada ao Laboratório Fleury. O resultado do exame deu positivo.

O Secretário de Vigilância e Saúde do Ministério da Saúde disse que o caso da menina pode ser considerado atípico, pois quem solicitou o exame foi a instituição de ensino da jovem. "O que foi atípico foi a solicitação da escola, a exigência que acaba gerando mais questionamentos", disse Oliveira.

"Se não tiver com nenhum sinal e sintoma respiratório, não tem nada para se fazer. Não é um procedimento correto ficar recomendando todo mundo para fazer testes, esses testes não vão mudar nenhum procedimento clínico", completou o secretário.

De acordo com o Ministério da Saúde, outras análises estão sendo realizadas, que devem mostrar a carga viral da paciente e potencial de transmissão, além da supressão de sintomas por uso de medicamentos, já que ela foi atendida em hospital italiano após lesão de ligamento e histórico dos familiares que a acompanharam na viagem.

Nesta quarta (4), foi confirmado o terceiro caso de coronavírus no Brasil. O homem é natural da Colômbia, tem 46 anos, é administrador de empresas, mora em São Paulo, e viajou para a Itália, Áustria, Alemanha e Espanha.

No último sábado (29), a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e o Ministério da Saúde confirmaram o segundo caso de coronavírus no estado. Trata-se de um homem de 32 anos que reside em São Paulo e que chegou de Milão, na Itália, na quinta-feira (27).

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