Não é novidade que os chás oferecem diversos benefícios para a saúde, mas vez ou outra também ganham destaque por serem aliados à perda de peso. O chá de cavalinha é um deles, e levou essa fama por ser um diurético natural, o que poderia contribuir para o emagrecimento. Mas será que isso é verdade?

A erva cavalinha é um fitoterápico, mas não há estudos científicos que comprovem que seu papel no emagrecimento, segundo Marcella Garcez, nutróloga e diretora da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia). As pesquisas, na verdade, demonstram justamente sua ação diurética, por isso é utilizado como coadjuvante no tratamento da obesidade.

Fernanda Maluhy, nutricionista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, diz que o emagrecimento depende de muitas circunstâncias, e não existe um chá que promova a perda de peso, acelere o metabolismo ou queime gordura de forma isolada. “A bebida de cavalinha ajuda a eliminar os líquidos pela urina, mas não contribui com a perda de gordura, apenas de água”.

As especialistas consultadas reforçam que a melhor forma para conseguir emagrecer é mudar os hábitos e ter uma dieta balanceada alinhada a atividades físicas regulares. Além disso, a perda de peso deve ser gradativa para não causar danos ao organismo.

Há algumas pesquisas em andamento ou que foram realizadas em animais que visam comprovar quais são os benefícios do chá de cavalinha. Vale destacar que elas ainda não foram realizadas em humanos.Veja detalhes a seguir:

Esse chá é contraindicado para gestantes, lactantes e pessoas com doenças cardíacas e renais. Crianças e adolescentes também devem evitar o consumo. Sabe-se que a erva contém uma enzima que inativa a vitamina B. Sendo assim, em excesso, pode causar deficiência desse nutriente.O uso também deve ser evitado por quem toma laxante ou diurético. Em grandes quantidades, a bebida pode provocar lesões no sistema urinário, dores de cabeça e fadiga. O uso prolongado também pode levar ao descontrole da pressão arterial. Por isso é importante ficar atento à quantidade consumida.

“Apesar de ser um produto natural, nenhum chá deve ser ingerido sem orientação de um especialista da área da saúde. A dosagem deve ser individualizada como também o tempo de uso”, diz Virginia Siqueira, nutricionista e diretora da Apan (Associação Paulista de Nutrição).

O fígado pode ser afetado pelo consumo em excesso desse chá. De acordo com uma publicação da SBH (Sociedade Brasileira de Hepatologia), a erva cavalinha ocasiona alterações hepáticas ao ser consumida em doses superiores a 600 mg por dia. Entretanto, para fazer mal o uso deve ser contínuo (por três a 18 semanas).

“A cavalinha não é um hepatotóxico (tóxico para o fígado) em pequenas quantidades, mas em doses excessivas e prolongada pode induzir a hepatite crônica (inflamação) e cirrose hepática (lesão no fígado)”, diz Siqueira.

A quantidade considerada segura é de até três xícaras (chá) por dia. Acima dessa quantidade, os efeitos ainda não são claros e a bebida pode causar riscos à saúde.

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