Para quem deseja encarar uma nova empreitada na vida e mudar os rumos da sua saúde no que diz respeito à situação corporal, existem dois setores de suma importância dentro da área clínica que são as peças-chaves nesse processo: a nutrição e a educação física.

Quando o assunto é corpo, é importante ressaltar que todo cuidado é pouco e informação verdadeira nunca é demais. O profissional de Educação Física, Davi Virgínio Paes Leme, explica que é preciso ficar de olho não apenas às maneiras de se cuidar, mas também à procedência das informações sobre o assunto.

“Hoje vivemos em um tempo de infodemia, que são informações vindas de pessoas que não são profissionais na área ou que têm toda a prática vivenciada, mas não possuem a teoria. É importante que quem deseja começar um acompanhamento busque informações para saber se o profissional é capacitado e licenciado para tal função”, alertou. 

Aliada à dieta, está a prática de exercícios. Uma corrida na rua, alguns agachamentos ou quem sabe aquela tão temida prancha. Tudo pode parecer totalmente prático e simples de fazer – segundo os aplicativos – mas essa praticidade pode se transformar em dor de cabeça ou pior: em graves lesões.

Além dos problemas resultantes da prática equivocada dos exercícios, outra questão que deve ser levada em consideração, que novamente reitera a importância da presença de um profissional, é a análise de cada indivíduo antes dessa prática.

Davi explica que existem casos em que a pessoa já possui algum problema de saúde, mas não sabe porque não recebeu o acompanhamento e a avaliação necessária. Ou seja, além de possivelmente adquirir um problema novo, o indivíduo pode agravar algo desconhecido.

Para isso, ele cita a importância da anamnese antes de iniciar qualquer prática de atividade física, que consiste em uma série de perguntas que o profissional faz ao paciente para definir um ponto inicial, seja para um acompanhamento médico, um diagnóstico ou, neste caso, a preparação para a realização de atividades físicas de forma segura, levando em consideração o histórico de doenças, tipo de alimentação, uso de medicamentos e até o sono.

Uma tabela de exercícios pronta, vídeos ilustrativos, tempo pré-determinado e indicação de queima calórica, são ferramentas que, sem sombra de dúvidas, tornam a vida de qualquer pessoa mais fácil quando o assunto é exercício físico. E tudo isso ao alcance da mão pode ser ainda mais tentador, não é mesmo?!

Os aplicativos oferecem uma gama de informações de maneira acessível e intuitiva para quem deseja ingressar no mundo fitness, mas o uso deve vir acompanhado de muita cautela.

Mesmo que a intenção seja a melhor, a busca por um corpo definido, por uma redução de medidas ou até mesmo por ganho de peso, deve ser guiada, primeiramente, pela saúde. Para isso, o acompanhamento profissional é o ponto de partida.

De acordo com o profissional de Educação Física Davi Virgínio, a lista de problemas que podem vir a acontecer em virtude de um exercício físico feito de maneira errada é grande, mas para ilustrar, ele elencou alguns desses possíveis males:

Outra questão que ressalta a importância de um acompanhamento médico prévio é a análise do perfil de cada paciente. Virgínio cita a escoliose como mais um problema recorrente. Este, trata-se de uma questão genética, mas que pode ser agravada. 

Aliada à prática esportiva e refém da desinformação, a saúde alimentar é um ponto de suma importância não só para quem deseja melhorias e/ou mudanças no saúde, mas para qualquer pessoa, independente da idade e da época do ano. Porém, o assunto ganha holofotes quando se aproxima o verão.

A nutricionista Andrea Oliveira explica que a chegada da estação mais quente do ano é um dos gatilhos que encoraja pessoas a se aventurarem rumo ao emagrecimento, às vezes de maneira irresponsável.

“Com a chegada de verão, as pessoas buscam ter um corpo ‘ideal’, e emagrecer rapidamente sem a ajuda de um profissional. Fazem isso apenas com informações da internet, que podem não ser saudáveis e seguras, procurando remédios e chás, além de  dietas pobres em nutrientes, esperando um efeito milagre”, apontou.

Um exemplo de composto utilizado, muitas vezes inconscientemente, durante o uso de medicamentos ou produtos para emagrecimento é o laxante. A nutricionista faz um alerta para o consumo do produto.

A desidratação é apenas a ‘ponta do iceberg’ quando o assunto é o uso de “chás milagrosos”. A princípio, eles podem parecer inofensivos, mas o uso dessas substâncias pode  até mesmo causar a morte quando usado sem prescrição médica ou sem consulta o rótulo do produto.

Dentro do consumo de chás e medicamento para emagrecimento, é preciso se ater às substâncias inseridas em sua composição. Andrea explica que um simples composto pode levar o consumidor à morte devido ao uso de outros medicamentos em paralelo.

“Quando uma pessoa faz uso dessas medicações ou de chás, ela se expõe ao risco de morte devido a um processo chamado de interação medicamentosa. A pessoa está tomando um remédio para o controle de pressão e toma um chá de emagrecimento. Esse chá, somado ao medicamento, pode baixar muito a pressão dessa pessoa e ela vir à óbito”, citou.

Assim como na realização de exercício físico, citada pelo profissional Davi Virgínio, dentro da nutrição, a anamnese se faz de suma importância para um bom acompanhamento nutricional. 

“Não adianta tomar um medicamento se você não faz um plano nutricional. Nesse plano é possível calcular as calorias, detectar se a pessoa está deficiente de alguma vitamina, é possível adicionar algumas vitaminas e minerais na dieta  de acordo com o histórico dela obtido através da anamnese”.

A nutricionista também reforça a importância do processo acontecer – e se manter – de forma totalmente individual. Segundo ela, tratando-se de saúde alimentar, nem tudo que funciona para uma pessoa vai trazer os mesmos benefícios para outra. Além dessa “cópia” no consumo ser ineficaz, ela pode trazer prejuízos à saúde.

No começo, uma dieta ou reeducação alimentar pode parecer um bicho de sete cabeças, mas existem formas mais simples e seguras de ingressar em uma mudança de vida: substituindo alimentos.

“Quando a pessoa quer emagrecer, ela pode emagrecer com o consumo de comidas saudáveis. Muitas vezes. elas tomam medicamento e chá e continuam comendo alimentos gordurosos, muita farinha branca e  alimentos ricos em sódio, achando que só o medicamento pode funcionar”, disse.

A nutricionista explica que, de fato, o medicamento pode funcionar, mas a curto prazo. Inclusive, todo peso pode voltar. Também existem casos de pacientes que realmente precisam tomar um medicamento para a perda de peso, mas estes devem estar seguindo um acompanhamento.

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