Dificuldade de ejacular e redução da libido: estudo mapeia sintomas da covid longa

Dificuldade de ejacular e redução da libido: estudo mapeia sintomas da covid longa

Um estudo britânico publicado nesta segunda-feira, 25, na revista científica Nature Medicine, mapeou novos sintomas associados à covid longa. De um total de 62 manifestações clínicas, anosmia (perda de olfato), queda de cabelo , espirros, dificuldade de ejaculação e redução da libido foram as mais relatadas. A pesquisa também aponta que mulheres, mais jovens, minorias étnicas, pessoas com dificuldades socioeconômicas, fumantes e obesos são mais propensos a enfrentar o quadro.

Conforme o Instituto Nacional de Estatísticas Britânico, 10% dos infectados pelo novo coronavírus apresentam sintomas persistentes por um período de 12 semanas ou mais. Essa persistência tem recebido vários nomes, como covid longa ou síndrome pós-covid. As manifestações, conforme o novo estudo, duram ao menos dois meses e não podem ser explicadas por diagnóstico alternativo.

Os pesquisadores da University of Birmingham analisaram registros de saúde de 2,4 milhões de pessoas no Reino Unido. Os dados coletados entre janeiro de 2020 e abril de 2021, incluíam mais de 480 mil pacientes diagnosticados previamente por covid e 1,9 milhão sem indicação de infecção. Ao contrário de muitos estudos anteriores, esse focou na população não hospitalizada, sobre a qual os dados são ainda escassos.

“Essa pesquisa valida o que os pacientes têm dito aos médicos e formuladores de políticas durante a pandemia, que os sintomas do covid longa são extremamente amplos e não podem ser totalmente explicados por outros fatores, como fatores de risco de estilo de vida ou condições crônicas de saúde”, falou Shamil Haroon, autor sênior do estudo e professor de Saúde Pública da universidade britânica, ao portal da instituição.

Outra descoberta associada à escolha de população, foi a de que pessoas mais jovens estão mais propensas a conviver com os sintomas persistentes. Além delas, outros “grupos de risco” apontados foram mulheres, pessoas com sobrepeso ou obesidade, fumantes, minorias étnicas e pacientes com dificuldades socioeconômicas.

Ao portal da instituição, Anuradhaa Subramanian, pesquisadora do Instituto de Pesquisa em Saúde Aplicada da universidade britânica e principal autora do artigo, destacou a importância da análise sobre fatores de risco, pois ajuda a avaliar o que tem contribuído para a covid longa e aprimorar o tratamento de pacientes.

“As mulheres são, por exemplo, mais propensas a sofrer de doenças autoimunes. Ver o aumento da probabilidade de as mulheres terem covid longa em nosso estudo, aumenta nosso interesse em investigar se a autoimunidade ou outras causas podem explicar o aumento do risco nas mulheres”, explicou.

Um estudo brasileiro, da Fiocruz Minas, constatou que metade das pessoas diagnosticadas com covid-19 apresenta sequelas que podem perdurar por mais de um ano. A pesquisa contabilizou 23 sintomas após o término da infecção aguda. Fadiga foi a principal queixa, relatada por 35,6% dos pacientes. Também entre as sequelas mais mencionadas estão tosse persistente (34%), dificuldade para respirar ( 26,5%), perda do olfato ou paladar ( 20,1%) e dores de cabeça frequentes (17,3%).

Como mostrou o Estadão, em abril, nos Estados Unidos, pacientes se tornaram cientistas cidadãos na ajuda para pesquisar tratamento para a covid longa. On-line, eles documentam seus sintomas. Isso ajuda profissionais de saúde a pensar em perguntas e estratégias, e até a divulgar resultados.

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