Dra. Melina fala sobre a importância da Nutrição Integrativa na vida moderna e no processo de emagrecimento

Em dias atuais, o fato é que as pessoas estão cada vez mais ansiosas, agitadas e adoecidas mentalmente. Há relatos de um aumento significativo nos casos de transtornos psicológicos, resultantes de um período de pandemia, de isolamento ou até mesmo de convivências tóxicas que foram percebidas durante esse período.

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O quadro atual pode favorecer o desenvolvimento de doenças, ou surgimento de outras. Pacientes idosos, ou em tratamentos de câncer, confinados, lutando pela sobrevivência, tem apresentado pioras em alguns quadros.

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Nesse cenário ganha cada vez mais espaço a Nutrição Integrativa, em que o conceito vai além do foco no emagrecimento, sugerindo alimentação saudável e exercícios físicos.

Corpo, mente e espírito estão interligados”, afirma a Dra. Melina Almeida, especialista em Nutrição Ortomolecular e Nutrigenômica Aplicada à Patologia, em entrevista exclusiva, direto de São Paulo, onde participa de sua especialização no Hospital Israelita Albert Einstein. Confira os principais trechos.

O que significa Nutrição Integrativa? 

Dra. Melina Almeida–  Trata-se da associação de práticas integrativas que visam a manutenção da saúde, e do bem-estar, não somente para manejo de doenças e sintomas. O foco está no indivíduo, não na doença que ele carrega. Muitas vezes, o estilo de vida, o meio em que vive, desde a alimentação, sono e estresse são fatores que potencializam o adoecimento.

A escuta do paciente é um dos pontos principais para identificarmos junto com ele as áreas que precisam de cuidados, e auto cuidado. Em seguida, incentivar a autonomia dele, em relação a sua própria vida é um ponto do tripé da saúde integrativa, e bem-estar.

Na Saúde Integrativa, usamos várias abordagens terapêuticas já bem embasadas cientificamente como a Meditação, o toque, o Mindfulness, além de ferramentas simples como o diário alimentar, e de gratidão.

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Dra. Melina: Fale mais o que é a nutrigenética e a nutrigenômica? 

Dra. Melina – A primeira é a interação dos nossos hábitos alimentares e dietéticos, em relação ao nosso DNA. Cada pessoa responde à alimentação de modo diferente. Hoje, sabemos que 20% do que acontece no corpo tem relação com nossas predisposições genéticas, porém os outros 80% são resultado da dieta, dos níveis de estresse, do estilo de vida, do sono, das atividades físicas e do funcionamento do intestino. Isto é Epigenética. Já a nutrigenômica é o estudo do poder do alimento de mudar o DNA. Os alimentos são capazes de modificar nossas rotas metabólicas, respostas imunes, nosso humor, hormônios, fazendo importantes alterações em nosso corpo. Um exemplo disso é como a dieta cetogênica, a partir de 2 semanas, já consegue fazer modulações epigenéticas, na prática melhorando pacientes com pré disposição à resistência insulínica, gordura no fígado, e obesidade.

Os alimentos são capazes de modificar nosso humor e mexer no nosso corpo como um todo

Os alimentos têm poder sobre o corpo e a mente? 

MA – Sim, hoje, temos uma classe de probióticos, chamados psicobióticos, voltados para o sistema nervoso. Antigamente, víamos o intestino como nosso segundo cérebro, hoje já podemos ousar falar em primeiro. Um intestino que não funciona bem, tem baixa produção de serotonina, neurotransmissor ligado ao bem-estar, paciência. Outras alterações percebidas, em hormônios tireoidianos.

E quem não produz serotonina adequadamente está predisposto a ter quadro de ansiedade depressão…

A alimentação, a espiritualidade, e a mente estão interligadas? 

MA – Tudo interligado. Existem artigos científicos comprovando que pessoas que creem em algo têm recuperação mais rápida de doenças em comparação àqueles que não creem. E tem artigo relatando a importância de tudo que usamos como alimento, seja pela boca, ou pelos olhos através de tudo que vemos ou ouvimos, e seu efeito na função da mitocôndria (nossa usina de força, e geração de energia).

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Quando assistimos a vídeos com dores, mortes, ou notícia ruins, essas informações vão alterando a produção de sinais inflamatórios em nosso corpo, trazendo mudanças bioquímicas, alterando a homeostase (manutenção do equilíbrio, pois nosso corpo vive em busca da estabilidade) isto é levando ao desequilíbrio, e este dificultando nosso processo de saúde e emagrecimento.

Cite alimentos para amenizar a ansiedade, melhoram o mau humor e diminuem a insônia.  

MA – Vitamina B6, banana, oleaginosas, castanhas são indicados para quem sofre de ansiedade, além de proporcionar saciedade e dar energia ao corpo. RECEITAS: Bata no liquidificador chá de camomila com a polpa do maracujá e adicione canela. Poderoso fitoterapico para o sono e para a ansiedade. Chá de mulungu com chá de camomila gelado, à noite também é ótimo. E gotinhas de óleo essenciais de lavanda no travesseiro acalmam e fazem sim mudanças bioquímicas no corpo.

Existem mesmo alimentos que intoxicam nosso corpo? 

Dra. Melina – Alimentos, pensamentos negativos e o estresse intoxicam o corpo, assim como noite mal dormida, o jet lag, as toxinas presentes nos produtos de beleza (tintura de cabelo, esmalte de unha, desodorante com alumínio…). O leite que consumimos hoje, e seus derivados, tem inflamatório, e pode potencializar problemas respiratórios como rinite, sinusite, aumentando a produção de muco, além de dermatites.

Quais alimentos são ditos Detox?

MA – Quem faz o detox do nosso corpo são os nossos próprios órgãos, o intestino, os rins e o fígado. Existem alimentos que podem estimular o processo de desintoxicação, um processo que já é do corpo. E dizer que suco detox tem poder para desintoxicar, não é verdade. Porém existem alimentos que estimulam essas fases em nosso corpo. Fase 1 e 2 de Detox, tais como uso de ervas e especiarias, cúrcuma, chá verde, limão (por conter óleos essenciais ricos em terpenos que são auxiliares na detox), , gengibre, maçã, cebola, alho, as oleaginosas e sementes: Castanhas, nozes, semente de girassol, fontes de Ômega 3, cálcio, magnésio, zinco e selênio importantes nesse processo.

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Além das frutas e vegetais verde escuros (Brássicas) entre outros. Com destaque para as frutas vermelhas: Acerola, goiaba, morango, entre outras.

Dra. Melina (Foto: Acervo Pessoal / Tiago Ghidotti – Divulgação)