Feijão gelado, resto de pizza, sobra de pudim. Tem gente que quando resolve atacar a geladeira não enxerga a qualidade nem a quantidade do alimento que ingere, muitas vezes após passar o dia inteiro sem comer direito. Há quem que espera pela madrugada e até se tranca no quarto para não ser flagrado por ninguém da família. Por mais engraçado que pareça, para quem está de fora, é um sofrimento para quem passa pela clássica situação do assalto à geladeira. E se ela se torna algo recorrente, é algo que pode gerar transtornos reais para o autor dos ataques. Segundo o nutricionista esportivo Deivid Freire, professor no cur­so de pós-graduação em Nutrição da Faculdade IDE, o primeiro passo é detectar se as investidas fo­ra de hora são fruto da carência do corpo de alimento (causa física) ou resultado de impulso ou compulsão alimentar (causa psicológica). Neste segundo caso, especialmente se os surtos de comilança se tornarem constantes, é preciso procurar suporte psicológico para investigar quais fatores estão levando a pessoa a compensar outras questões na comida. Já para aqueles que necessitam apenas de uma melhor orientação sobre como se alimentar adequadamente, Deivid tem algumas dicas que podem ser valiosas, evitando a fome e sensação de privação que levam o corpo a cobrar comida.“Quando você tenta emagrecer se privando demais dos alimentos teoricamente engordativos ou deixando de participar de encontros sociais importantes, isso não é bom nem traz bons resultados. A dieta se torna mais radical do que sustentável”, alerta.Deivid recomenda que se preste atenção à organização alimentar ao longo do dia, levando em conta detalhes como a hidratação. “A água dá saciedade”, aponta. Muitas vezes, por causa de trabalho, da correria cotidiana, a pessoa passa intervalos muito longos sem comer, e para compensar, diante da fome, realiza refeições com maior volume que o adequado, dentro do que o senso popular chama de “olho grande” – o que pode causar impulso ou compulsão. Deivid diz que o propagado lema de que se deve comer de manhã como príncipe, à tarde como plebeu e à noite como mendigo é um mito. “Cada caso é um caso. Se a pessoa faz exercício físico à noite, por exemplo, vai precisar de uma ingesta maior de calorias nesse período”, exemplifica. “Porém, acontece muito de as pessoas não terem hábito de tomar café da manhã, tentarem compensar no almoço e quando chegam em casa, à noite, descontam na comida. Às vezes, à noite é o horário em que se está em casa, com melhor acesso aos alimentos. A dica é ter sempre alimentos saudáveis disponíveis, em vez de privilegiar as comidas industrializadas ou com muito açúcar ou gordura. Lembrar que é sempre bom desembalar menos e descascar mais, investindo nos alimentos naturais”, afirma.“Se eu tenho compulsão por alguma comida, como chocolate, tenho que aprender a lidar com esse problema. Se eu como uma barra de chocolate de uma vez, preciso desenvolver a maturidade que me permita comer chocolate até mesmo todos os dias, mas numa menor quantidade. Não tem essa coisa de substituir, o alimento que você sente vontade você deve comer, mas com esse autocontrole. Esse é objetivo. Se estou com fome de brigadeiro, não vou comer biomassa de banana, porque não vai resolver. Leia tambémDieta cetogênica: o que é e para que serve?Conheça os alimentos que sabotam a sua dietaNão adianta trocar um brigadeiro por um quilo de brigadeiro fitness, você vai estar piorando a situação, porque os alimentos fitness têm uma qualidade nutricional superior mas também têm calorias”, alerta. “A pessoa que age desse jeito só faz criar uma crença limitante que atrapalha o processo de emagrecimento. Não existe alimento proibido e, sim, aqueles que a gente precisa consumir em menor quantidade, em momentos esporádicos, para que a sensação de privação seja cada vez menor”.

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Você não precisa sofrer pra fazer dieta.

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