É oficial: o carnaval começou em Belo Horizonte. E teve atrações para todos os gostos. Ontem, os belo-horizontinos viveram uma mistura de cultura, diversidade e diversão em família. O bloco Queimando o Filme levou para as ruas de Santa Tereza, na Região Leste de Belo Horizonte, as produções cinematográficas brasileiras. Na Praça da Estação, a cantora Pabllo Vittar subiu no trio e emocionou o público de 20 mil pessoas, muitas delas inspiradas na drag queen. Já no Bairro Renascença, o Bloco Mexiana homenageou Clara Nunes e levou alegria para crianças de todas as idades.Em momento em que o cinema sofre com cortes de verba e censura, o objetivo do bloco Queimando o Filme foi homenagear a sétima arte produzida no Brasil. O cortejo esteve entre os que marcaram a abertura oficial da programação de carnaval de Belo Horizonte, que segue com os cortejos de cerca de 500 blocos até 1º de março. Os foliões mostraram disposição para os 23 dias de festa que se seguirão.O bloco escolheu reduto que é um marco na cultura da cidade, na proximidade do Galpão Cine Horto e ontem funcionou o bar Zona Last. As fantasias deram ideia de que os belo-horizontinos devem caprichar para participar dos bloquinhos. Não faltaram personagens do cinema, como Coringa, ou de clássicos de filmes de terror, como o boneco assassino Chuck. Um mar de referências para os cinéfilos.A empresária Gabriela Rodrigues dos Santos, de 37, empunhou o estandarte com o cartaz do documentário Democracia em vertigem, de Petra Costa, que concorre ao Oscar hoje. “O bloco é uma homenagem ao cinema. Os estandartes trazem filmes brasileiros que consideramos importante serem apresentados”, afirma. Também se transformaram em estandartes os cartazes de Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, Marighella, de Wagner Moura, e Ex-pajé, de Luiz Bolognesi. Os cartazes desses filmes brasileiros foram retirados da parede da Agência Nacional do Cinema (Ancine) em Brasília, no final do ano passado. Até o Papa Francisco apareceu por lá. O sacerdote é protagonista do documentário Dois papas, de Fernando Meirelles.Com a bateria formada também por instrumentos de sopro, os foliões cantaram sucessos da música popular brasileira, como A luz de Tieta, de Caetano Veloso, e desceram até o chão com as versões do funk. A técnica de enfermagem Luciana dos Santos da Silva, de 32 anos, não perdeu o ritmo. “Só está começando. Vou a muitos blocos ainda”, disse ela, que escolheu a fantasia de pirata.

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