No domingo, 9 de fevereiro, é o Dia do Frevo. São 113 anos desde que as ruas do Recife começaram a ferver com a dança criada pelo povo. Mesmo centenário, o frevo não perde a capacidade de inspirar, surpreender. A tradição está atraindo jovens talentos para se reinventar (veja vídeo acima)

Ao longo do tempo, a expressão artística de música e dança que é a cara de Pernambuco ganhou adaptações. A tecnologia entrou nesse ritmo para reinventar o jeito de tocar, sentir, cantar, dançar e dar uma cara nova ao frevo.

Para isso, colocaram de lado os instrumentos tradicionais. A orquestra, neste caso, está ao alcance do teclado do computador. É o frevo com pegada eletrônica e as infinitas possibilidades que a tecnologia permite.

“Aqui eu consigo soltar a bateria, eu consigo trazer percussões, fazer melodias, trazer outros elementos que foram gravados ou que são tocados na hora. Esse é um desafio: como a gente traz esses elementos que não foram feitos para música popular, como é que a gente traz eles e toca esses instrumentos com músicas populares”, explica o músico e pesquisador Tom BC.

“A gente está tendo a possibilidade de botar temas atuais, modernos. E com isso inclui o feminismo. Letras feitas por mulheres, composições feitas por mulheres. E também tirar um pouco desse ambiente masculino que é muito comum na orquestra de frevo”, comenta a cantora Surama Ramos.

“A gente vive isso hoje: as crianças já nascem sabendo mexer em celular, sabendo conduzir de alguma forma e isso interfere no que a gente apreende, no que a gente quer construir. E isso também constrói corpo. Mesmo sendo digital a gente se deixa influenciar e está dentro desse elemento também. E o corpo segue junto”, afirma o dançarino Orun Santana.

“A gente pega tudo que vem na cabeça da gente e vai transformando. O computador ajuda muito nisso, porque ele aproxima qualquer pessoa de compor coisas, às vezes com sonoridade orquestral e tal, e você dentro da sua casa, sozinho, pode fazer isso”, diz o músico Henrique Albino.

“Eu acho que, além de ser uma paixão da gente por esse som, é também uma forma de comunicar com uma população, de comunicar com uma gente mais jovem e que experimenta música de outras formas”, afirma o músico e pesquisador Miguel Mendes.

“Tem um passo chamado rojão. Esse movimento surgiu de um movimento chamado vingativa, da capoeira”, exemplifica o professor de danças populares Alison Lima.

Para acompanhar os acordes mais acelerados do carnaval, foi criada uma dança acrobática. Os passistas têm fôlego de atleta e o sorriso sempre no rosto. Nem parece que dançar o frevo exige tanto esforço.

Passista Eliseu Nascimento de Araújo diz que parece estar flutuando enquanto dança frevo, o que exige esforço físico enorme: ‘Energia surreal’ — Foto: Reprodução/TV Globo

“Eu acho que é uma energia surreal. A gente consegue pensar que a gente está flutuando quando a gente dança o frevo”, diz o passista Eliseu Nascimento de Araújo.

A luta que virou dança é ensinada o ano todo na primeira Escola Municipal de Frevo do País. Pinho Werison Fidelis chegou menino e virou professor. Antes, se apresentou pelo mundo. “Foram 18 países. Nunca imaginei [chegar tão longe]. O frevo é vida”, diz.

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