Review – South of the Circle

Review – South of the Circle

Este será um daqueles reviews que resgatará uma das várias discussões que estão sempre circulando no meio gamer (e quem tem Twitter com certeza já deve estar exausto delas), mas infelizmente será inevitável trazer certos questionamentos para tal análise. South of the Circle, até então exclusivo de Apple Arcade, finalmente está recebendo ports para todos os consoles do momento e agora todo mundo poderá experimentar a mais requintada experiência narrativa do estúdio State of Play.

O jogo recebeu um certo destaque devido a sua qualidade em termos de história, que é muito bem construída, possui personagens marcantes e um elenco de primeira, com atores de séries famosas a cargo das performances. Para quem já está familiarizado com jogos focados em narrativa, este título pode ser um tesouro esperando para ser descoberto, mas aqueles que só apreciam jogos que você pode, de fato, JOGAR, provavelmente não vão durar nem 20 minutos neste aqui.

South of the Circle nos coloca em uma Inglaterra da década de 1960, época assolada pelas tensões da Guerra Fria – um conflito que durou décadas, mas que pode ser resumido em União Soviética e Estados Unidos trocando ofensas e ameaçando soltar bombas atômicas no quintal do outro. Nosso protagonista se chama Peter, um professor universitário que, por alguma razão, foi parar no meio da Antártida após um acidente aéreo. Perdido no meio da neve e sem ter a quem pedir socorro, ele deverá lutar pela sobrevivência ao mesmo tempo que vê sua vida passando diante dos seus olhos.

A forma como a história é contada lembra um pouco Firewatch e What Remains of Edith Finch, estes que foram os dois grandes pilares inspiradores para South of the Circle, de acordo com os desenvolvedores. Você vai acompanhando uma narrativa fragmentada, que se passa tanto no presente quanto no futuro de uma forma praticamente simultânea. Em um momento você está na Antártida, perdido no meio da neve, e no outro está acompanhando um flashback de Peter na universidade.

Enquanto os trechos do presente têm um foco maior em exploração (ainda que seja mínimo), o passado nos coloca para acompanhar longos diálogos que oferecem algumas interações. A maior parte dos flashbacks conta a história de amor entre Peter e Clara, uma outra professora da universidade em que ele leciona. Vamos acompanhando suas primeiras interações e pouco a pouco vendo um sentimento crescer, o que é legal, porque você vai se apegando a eles. Por outro lado, conforme as coisas vão se desenrolando e vamos entendendo como tudo chegou até aquele ponto na Antártida, você se arrepende de ter se afeiçoado a certas pessoas por ali.

Peter terá de lidar com dilemas constantes que o fará escolher entre sua carreira ou seu verdadeiro amor, assim como se encontrará cada vez mais envolvido com a Guerra Fria – mesmo que involuntariamente. As decisões que o jogo carrega são sutis e vão definindo o caminho do personagem no passado, mas ainda assim são bem simplórias. Não existem grandes alterações na narrativa e a escolha de diálogos é praticamente inútil.

Eu mesmo mal consegui entender esses diálogos interativos, pois cada fala está atrelada a uma emoção que é representada por um símbolo. Eu nunca conseguia lembrar o que significava cada um (o jogo só explica uma vez no começo e depois nunca mais), então na maioria das vezes acabava falando abobrinha. No fim, pouco importa o que você decide responder; em diversos momentos, só existe uma única opção de diálogo e, mesmo se você não apertar o botão, o jogo ativa ela automaticamente. Esse é só mais um exemplo de que você nem precisa jogar o game, pois ele se joga por conta própria.

Não tenho problema com jogos narrativos, pois mesmo quando não temos um gameplay complexo ou até mesmo divertido, podemos experienciar histórias incríveis e profundamente marcantes. Contudo, estaria mentindo se dissesse que South of the Circle não me incomodou em nenhum momento. Está certo que é um jogo focado em enredo e ele nunca escondeu isso de ninguém, mas achei exagerado o quanto você não faz absolutamente nada aqui.

Os maiores momentos de gameplay ficam no presente, quando você pode controlar o personagem dentro de pequenas áreas (com uma velocidade de dar sono, diga-se de passagem). Não é como se fosse um point and click, onde você sai procurando as coisas, pois na maioria das vezes não tem nada para encontrar. Alguns cenários contam com um ou dois pontos interativos que fornecem uma imersão maior àquele momento, mas ficam por isso mesmo. Em outros trechos, você poderá “pilotar” veículos, mas só de mentirinha, porque não é nem possível escolher a direção que eles vão. Você só precisa pressionar o analógico e o jogo faz o resto – se soltar, o veículo para, só para dar uma sensação de falso controle.

É claro que, em termos de narrativa, o jogo é louvável e tudo que gira em torno disso também não faz feio. O estilo visual é bem artístico, trazendo personagens e cenários que remetem ao low poly, só que muito mais detalhado. Todos os movimentos foram capturados com pessoas reais, então é tudo surpreendentemente fluido, sem contar na dublagem, que é de primeira, como já citei no início da análise. Para completar o pacote, a trilha musical coroa cada momento com tons dramáticos e deixa os cabelos em pé.

Ainda assim, para mim South of the Circle falhou em uma coisa muito simples: ser um jogo. Ele é muito bom naquilo que propõe, mas a falta de uma interatividade mais relevante e recorrente dentro da narrativa deixa tudo mais cansativo e enfadonho, até mesmo para quem já está acostumado com o gênero. Já aqueles que preferem jogos mais dinâmicos e empolgantes, não preciso nem falar para passar longe deste, não é?

Confira a publicação original

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