WhatsApp diz que nenhum governo o fará enfraquecer sua criptografia

WhatsApp diz que nenhum governo o fará enfraquecer sua criptografia

Ante a posição do WhatsApp perante o tema, a Sociedade Britânica para a Prevenção de Crueldade contra Crianças (NSPCC, na sigla em inglês) criticou o aplicativo, alegando que ele é a "linha de frente" do abuso sexual infantil.

O governo britânico afirma que as empresas de tecnologia têm a obrigação de lidar com o problema. Seu projeto é parte de uma Lei de Segurança Online, cuja análise foi adiada para os próximos meses (quando será oficializada a saída de Boris Johnson como premiê, e um novo líder conservador será alçado ao cargo).

"Eles (empresas) não devem ignorar os claros riscos que a criptografia de ponta a ponta possa cegá-los a esse conteúdo (de abuso infantil) e prejudicar os esforços em identificar perpetradores", afirmou um porta-voz do governo britânico.

A criptografia de ponta a ponta (E2EE em inglês) oferece o nível mais robusto de segurança às mensagens, porque apenas o destinatário tem a chave para decodificar a mensagem. Isso é considerado essencial para a privacidade da comunicação.

Agora, o debate na comunidade de tecnologia é que o governo britânico prometeu apoiar o desenvolvimento de ferramentas que possam detectar imagens ilegais dentro ou ao redor do ambiente de E2EE, em tese sem desrespeitar a privacidade do usuário.

Especialistas questionam se isso é algo viável – e muitos avaliam que a única opção seria por meio do chamado "client-side scanning". Trata-se de sistemas que escaneiam mensagens (como textos, fotos, vídeos e arquivos) e comparam seu conteúdo com bases de dados de conteúdo considerado questionável – no caso, material envolvendo abuso infantil. Esse processamento acontece antes de a mensagem chegar ao seu destinatário.

"Se tivéssemos que baixar a segurança para o mundo inteiro, para acomodar a exigência de um país, (…) seria uma tolice que aceitássemos isso. Tornaria nosso produto menos desejado para 98% dos usuários pela exigência de 2%", declara Cathcart à BBC News.

Monica Horten, gerente de políticas da organização Open Rights Group, concordou. "Se a Apple não consegue acertar nisso, como os governos conseguirão? 'Client-side scanning' é uma forma de vigilância em massa. É uma interferência profunda na privacidade."

"Claro que se você disser 'acha que devemos proteger as crianças?', todo o mundo vai responder 'sim'. Mas e se você disser 'vou colocar algo no seu telefone que vai escanear todas as suas imagens e compará-las a uma base de dados'. Daí você começa a ver as implicações disso."

"A realidade é que, atualmente, sob o manto da criptografia, eles (WhatsApp) identificam apenas uma fração dos níveis de abuso que as empresas-irmãs Facebook e Instagram conseguem detectar", argumenta Andy Burrows, chefe de políticas de proteção online da NSPCC.

Confira a publicação original

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