Mesmo assim, é sintomático que a primeira princesa não totalmente humana tenha surgido antes de Jasmine, a primeira árabe (em “Aladdin”, de 1992), de Mulan, a primeira oriental (no filme de mesmo nome, de 1998) e de Tiana, a primeira negra (em “A Princesa e o Sapo”, de 2009).

Ao longo das últimas três décadas, as princesas da Disney ainda se livraram de um acessório outrora indispensável: o príncipe encantado. Mulan, Mérida (de “Valente”, 2012) e Moana (de “Moana: Um Mar de Aventuras”, 2016) terminam seus respectivos filmes sozinhas, e não menos felizes por causa disso.

Os pais de Elsa a mantiveram reclusa por anos (ou seja, “no armário”), por causa de seus poderes secretos. Quando ela os revela, é prontamente rejeitada pela população do reino de Arendelle. E parte para o exílio cantando “Livre Estou”, um hino à descoberta de si mesma.

Dezenas de teorias sobre a suposta homossexualidade de Elsa floresceram na internet. Também circularam rumores de que esta orientação sexual seria confirmada em “Frozen 2”. Até a ministra Damares Alves acreditou.

A assexualidade é um fenômeno complexo e ainda pouco compreendido. Engloba uma dezena de vertentes: há os que gostam de beijos, mas não do ato sexual em si; há os que sonham com um casamento sem sexo; há os que não querem nenhum tipo de contato físico ou intimidade emocional.

Mas quem sonha com mais representatividade na mídia pode se alegrar. Uma das minorias mais obscuras do espectro sexual está retratada de maneira bastante positiva num dos maiores blockbusters do momento.

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