O único longa-metragem do Distrito Federal que concorreu na mostra competitiva nacional do 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro foi premiado com o Troféu Câmara Legislativa de “melhor longa-metragem pelo júri técnico” e de “melhor ator”. O filme, porém, não levou o Troféu Candango.

“New Life S.A.”, dirigido por André Carvalheira, aborda a especulação imobiliária, a corrupção no Judiciário e as relações de poder movidas pelo dinheiro. Perpassando todos estes temas, o longa faz, ainda, uma crítica ácida (embora sutil) à elite brasileira.

“Sempre tive muita raiva dessa elite, de como ela se comporta. Sempre achei muito ridículo isso tudo”, disse o diretor ao G1. “Essa crítica foi crescendo, especialmente pelo contexto social e político que vivemos, e acabou nos levando organicamente para esse caminho, da crítica satírica.”

O filme conta a história de um arquiteto que se vê preso em uma situação de corrupção sobre a qual não tem controle. “Ele até tem uma boa intenção para o convívio social, mas se vê preso numa estrutura corrompida que não parece ter saída”, explicou Carvalheira.

O argumento do filme tem mais de cinco anos, segundo o diretor, e foi parar na gaveta duas vezes antes de ser filmado. A primeira tentativa de dar vida ao roteiro foi com Pablo Gonçalo, que “me deu ânimo para retomar a história”, disse Carvalheira.

“Consegui o FAC [Fundo de Apoio à Cultura] para desenvolver, investi na direção de fotografia, mas o roteiro acabou engavetado de novo. O produtor Alisson Machado – o grande responsável pelo ‘crime’ deste filme – me provocou a resgatar o roteiro e fazer um longa.”

Logo antes da exibição de “New Life S.A.”, Carvalheira convidou a equipe técnica e o elenco para se juntar a ele no palco. Diante da surpresa do público – acostumado a ver pequenos grupos na apresentação dos filmes – ele brincou: “Isso é para vocês verem quanta gente o cinema emprega.”