A noite de domingo ficou marcada na história do cinema. “Parasita”, do diretor sul-coreano Bong Joon-Ho, foi o primeiro filme de língua não inglesa a faturar o prêmio Oscar na categoria de Melhor Filme.

Consolidada como mais notável e maior premiação do cinema, a cerimônia da entrega do Oscar acendeu os holofotes depois de décadas de desconsideração ao cinema sul-coreano.

Essa foi a segunda vez que um filme do país foi indicado a uma categoria no Oscar. Há quase sessenta anos, o cinema sul-coreano inscreveu 31 filmes à premiação, sem conseguir destaque.

O reconhecimento dado pela Academia foi um passo importante na quebra de barreiras da legenda, como o próprio diretor Bong Joon-Ho afirmou, mas também deu luz a uma questão essencial, que toca ao investimento e importância dada ao cinema na Coreia do Sul.

De acordo com uma pesquisa divulgada pela Ancine (Agência Nacional do Cinema) em 2018, a elaboração de políticas industriais voltada ao setor resultaram em um grande e rápido sucesso da indústria do cinema sul-coreano partir dos anos 1990.

A grande virada aconteceu depois que o governo sul-coreano percebeu que a maior parte das salas de cinema estava sendo ocupada por filmes estrangeiros. Em 1995, o governo instituiu uma emenda para atrair capital para de um fundo audiovisual e para criação de incentivos fiscais para o setor.

O governo também reforçou um sistema de cotas de tela, fazendo com que filmes produzidos no país tivessem pelo menos 73 dias de exibição nas salas de cinema.

“Bom saber que o cinema coreano tem forte investimento público (dinheiro público) em formação, produção e exibição (…). Como deve ser. Cultura é indústria, não é hobby”, escreveu o diretor em sua conta no Twitter.

Além do prêmio de melhor “Parasita” também faturou as categorias de “Melhor Diretor”, “Melhor Filme Estrangeiro” e “Melhor Roteiro Original”. Em um retrato da divisão econômica de classes do país, o filme ganhou reconhecimento pela sua qualidade de roteiro, atuação, edição e temática.

O diretor Bong Joon-Ho já havia recebido elogios pelo seu ” Memórias de Um Assassino”, de 2003, ano em que o cinema coreano teve destaque com o lançamento de “Oldboy”, do Park Chan-wook, que ganhou um remake do diretor Spike Lee..

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