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CAPS AD: como funciona o atendimento para álcool e outras drogas

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Quando o consumo de álcool ou de outras drogas passa a trazer sofrimento para a pessoa e para a família, muita gente não sabe a quem pedir ajuda. O SUS tem um serviço feito para isso. Na Serra, no Espírito Santo, o CAPS AD Laranjeiras é um exemplo de unidade pública que recebe pessoas nessa situação, de forma gratuita.

O CAPS AD é a modalidade do Centro de Atenção Psicossocial voltada ao cuidado de quem vive sofrimento por causa do uso prejudicial de substâncias. O texto explica o que ele é, como se chega, quais são as variações e o que as famílias podem esperar.

É conteúdo informativo, que não substitui atendimento. Se o sofrimento estiver intenso agora, o CVV atende pelo 188, de graça, 24 horas.

O que é o CAPS AD

Os Centros de Atenção Psicossocial acolhem pessoas em sofrimento psíquico intenso, inclusive as que enfrentam situações relacionadas ao uso prejudicial de substâncias. O CAPS AD, com as letras de álcool e drogas, é a modalidade pensada especificamente para esse público.

Trata-se de um serviço público, gratuito e organizado em equipe multiprofissional, com médicos, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, terapeutas ocupacionais e outros profissionais. O cuidado não se limita à questão do uso: inclui a vida social, a família e o trabalho.

O diretório nacional registra mais de 530 unidades desse tipo no país.

Os tipos: AD e AD III

A portaria que consolida a Rede de Atenção Psicossocial prevê duas modalidades. O CAPS AD é indicado para municípios acima de 70 mil habitantes. O CAPS AD III, que funciona 24 horas, inclusive aos fins de semana e feriados, com acolhimento noturno, é indicado para municípios acima de 150 mil habitantes.

Esses números dizem onde cada modalidade pode ser implantada, e não quem pode ser atendido. Qualquer pessoa em sofrimento pode procurar o serviço de sua região, e cidades menores contam com a referência de municípios vizinhos.

Como se chega ao CAPS AD

De acordo com o Ministério da Saúde, os CAPS funcionam em porta aberta: o primeiro acolhimento não exige consulta marcada. No caso dessa unidade, as informações do cadastro indicam que, em geral, o serviço recebe sem encaminhamento, pelo acolhimento.

A pessoa pode ir por conta própria, acompanhada da família ou encaminhada pela UBS, por hospital geral, UPA, SAMU ou serviço de assistência social. O encaminhamento não é obrigatório.

Como a rotina varia, vale ligar antes para saber horários e documentos pedidos.

Como é o acolhimento

Na chegada, a equipe conversa com quem chega, entende a situação e explica como o serviço funciona. Não há cobrança nem exigência de abstinência para o primeiro contato. O foco inicial é ouvir, avaliar a necessidade de cuidados e combinar os próximos passos.

Depois do acolhimento, é construído um projeto terapêutico, pensado em conjunto com ela e, quando for o caso, com a família. Esse plano define a frequência, as atividades e os objetivos, e é revisto ao longo do tempo.

O que o serviço oferece

O trabalho pode incluir atendimento individual, grupos, oficinas, atividades terapêuticas e culturais, acompanhamento médico e de enfermagem, apoio social e articulação com serviços de saúde e de assistência. Em unidades de funcionamento 24 horas, existe acolhimento noturno por períodos curtos.

A equipe também cuida do que a pessoa precisa para o dia a dia: documentos, moradia, trabalho, escola. A lógica é cuidar em liberdade, perto da comunidade, e não afastar a pessoa do convívio.

A família também é cuidada

O sofrimento causado pelo consumo de álcool e outras drogas atinge quem convive com ela. Muitos serviços oferecem acolhimento e grupos para familiares, para que entendam o que está acontecendo e aprendam a lidar com as situações do dia a dia.

Mesmo quando a pessoa que usa ainda não quer procurar ajuda, os parentes podem ir ao serviço, falar com a equipe e receber orientação.

Um exemplo na Serra, Espírito Santo

O serviço Laranjeiras fica na Rua Álvares Cabral, no Parque Residencial Laranjeiras, na Serra. O cadastro nacional o registra como serviço municipal, com funcionamento de manhã e tarde, e informa que atende pessoas com sofrimento ligado ao uso de substâncias.

A cidade tem outros CAPS no cadastro, entre eles um para adultos e um infantojuvenil. Isso mostra como a rede se organiza: cada serviço atende um público, e todos se articulam.

Em crise ou fora do horário

Em situações de crise, de intoxicação grave ou de risco à vida, a orientação é acionar o SAMU, pelo 192, ou procurar a UPA 24 horas. O CVV atende pelo 188, de graça, a qualquer hora, para quem precisa conversar.

Passada a emergência, a unidade é o caminho para dar seguimento ao cuidado.

Dúvidas frequentes da família

A pessoa precisa querer ir? Para o tratamento fluir, o desejo dela conta muito, mas a família pode procurar o serviço sozinha, conversar com a equipe e receber orientação sobre como abordar o assunto em casa. A equipe ajuda a encontrar o melhor momento.

O atendimento tem custo? Não. É um serviço público do SUS. Há sigilo? Sim: o profissional de saúde é obrigado a manter o sigilo do que ouve, com as exceções previstas em lei.

E se a pessoa recair ou faltar? A equipe faz busca ativa, isto é, procura quem deixou de comparecer, porque o vínculo faz parte do cuidado. Recomeçar não é fracasso, integra o percurso.

Preconceito e acolhimento

Muita gente demora a procurar ajuda por medo de julgamento. O princípio do serviço é o oposto: acolher sem condenar, com respeito à história de cada um. Esse sofrimento é tratado como questão de saúde, e não como falha de caráter.

Se alguém se sentir maltratado em qualquer serviço, pode registrar a queixa na ouvidoria do SUS, pelo telefone 136, ou na ouvidoria do município.

Outros apoios na comunidade

Além do serviço de saúde, os serviços de assistência social, por meio dos CRAS e dos CREAS, orienta sobre benefícios, moradia e vínculos familiares. Grupos de ajuda mútua, de igrejas e de associações comunitárias oferecem apoio entre pares e complementam o tratamento.

Esses recursos funcionam melhor quando a equipe do CAPS os conhece e os articula com o plano de cuidado.

Quando procurar ajuda

Procurar ajuda é indicado quando o uso de álcool ou de outras substâncias começa a atrapalhar o trabalho, os estudos, a saúde ou as relações, ou quando a própria pessoa sente que perdeu o controle. Não é preciso esperar uma situação extrema.

Vale falar com os profissionais também para tirar dúvidas, sem compromisso. O acolhimento serve para entender o que está acontecendo e quais são as opções de cuidado.

A decisão de buscar tratamento costuma ser mais fácil quando há alguém por perto para acompanhar até o serviço, e a equipe acolhe também esse acompanhante.

Manter o contato com o serviço, mesmo nos períodos difíceis, é parte do cuidado.

Um resumo para guardar

O centro é o serviço público e gratuito do SUS para o cuidado de pessoas com sofrimento relacionado a substâncias. Funciona em porta aberta, com equipe multiprofissional, plano de cuidado individual e apoio às famílias.

Existem a modalidade AD e a AD III, de 24 horas, em cidades maiores. Quem não sabe qual é o serviço de referência pode perguntar na UBS.

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